27/03/2025

Revolução na dermatologia e cosmética: Ciência estava errada sobre colágeno da nossa pele

Redação do Diário da Saúde
Revolução na dermatologia e cosmética: Ciência estava errada sobre colágeno da nossa pele
Estrutura do colágeno tipo I na pele dorsal do axolote.
[Imagem: Ayaka Ohashi et al. - 10.1038/s41467-025-57055-7]

Tava errado

A pele consiste em duas camadas primárias: A epiderme, a camada mais externa, é predominantemente composta de queratinócitos, ou ceratinócitos, enquanto a derme mais profunda contém vasos sanguíneos, nervos e proteínas estruturais, como colágeno, que dão à pele sua força e textura.

A ciência nos ensinava até agora que os fibroblastos, que são células de suporte especializadas dentro da derme, desempenham o papel fundamental na produção de colágeno. É com base nesse conhecimento que têm sido fabricados virtualmente todos produtos de cuidados com a pele que se pode encontrar hoje no mercado.

Ou seja, não apenas no âmbito da pesquisa científica e médica, mas também da dermatologia e da cosmética, a verdade fundamental era "a produção de colágeno na pele humana é feita pelos fibroblastos".

Acontece que isto está errado, acabam de demonstrar Ayaka Ohashi e colegas da Universidade Okayama (Japão).

"Até agora, os fibroblastos foram considerados os principais contribuintes para o colágeno da pele. Todos os esforços na ciência cosmética e na pesquisa médica da pele se concentraram na regulação dos fibroblastos. Mas o presente estudo exige uma mudança de mentalidade. Esclarecemos que os queratinócitos são os principais responsáveis pela formação do colágeno dérmico," resumiu Ohashi.

Revolução na dermatologia e cosmética: Ciência estava errada sobre colágeno da nossa pele
Os axolotes são o modelo animal mais utilizado em pesquisas dermatológicas devido à sua "pele de vidro" transparente.
[Imagem: Akira Satoh/Okayama University]

Queratinócitos, não fibroblastos

Usando a pele transparente de axolotes, um anfíbio aquático amplamente utilizado em pesquisas dermatológicas, Ohashi descobriu o mecanismo que responde pela formação do colágeno dérmico.

O que os experimentos mostraram é que já havia colágeno na pele do animal antes mesmo que os fibroblastos começassem a regulá-lo. A equipe então procurou a fonte da produção de colágeno usando uma nova técnica de rotulagem capaz de identificar fibras de colágeno recém-sintetizadas.

Os resultados foram surpreendentes: Fortes sinais fluorescentes revelaram que as fibras de colágeno são produzidas pelos queratinócitos, não pelos fibroblastos.

Ao ir mais a fundo, a equipe descobriu que os queratinócitos produzem colágeno em um arranjo estruturado, semelhante a uma grade, em sua superfície inferior. Mais tarde, os fibroblastos, que têm uma estrutura semelhante a uma treliça e projeções semelhantes a dedos, migram para essa camada de colágeno, modificando-a e reforçando-a, eventualmente com uma produção acessória de mais colágeno.

Para confirmar que esse processo não é exclusivo dos axolotes, os pesquisadores examinaram outros modelos de vertebrados, incluindo peixes-zebra, embriões de pintinhos e embriões de mamíferos (camundongos). Suas descobertas foram consistentes em todas as espécies, sugerindo que a produção de colágeno conduzida por queratinócitos é um mecanismo evolutivamente conservado.

Contudo, será necessário fazer novas pesquisas em humanos para tentar esclarecer o quanto de colágeno é produzido nos queratinócitos e nos fibroblastos em cada etapa da vida, e o quanto é possível fomentá-la em cada tipo de célula.

Revolução na dermatologia e cosmética: Ciência estava errada sobre colágeno da nossa pele
A descoberta faz renascer o sonho de uma pele com juventude eterna.
[Imagem: Ayaka Ohashi et al. - 10.1038/s41467-025-57055-7]

Juventude eterna

Esta descoberta refaz nossa compreensão da biologia da pele e pode levar a avanços na medicina regenerativa, na cicatrização de feridas e nas formulações cosméticas. Os produtos atuais para cuidados com a pele têm como alvo principal a atividade dos fibroblastos, mas tratamentos futuros poderão se concentrar em estimular a produção de colágeno em sua fonte primária, os queratinócitos.

Ao derrubar um saber científico de décadas, esta pesquisa abre caminho para uma nova era na ciência dos cuidados com a pele - uma que pode nos aproximar da manutenção de uma pele jovem e resiliente por toda a vida.

"Os axolotes podem manter uma boa textura e aparência da pele por um longo tempo. Quero dizer, eles têm uma espécie de juventude eterna," comentou o professor Akira Satoh, coordenador da equipe. "Isso pode ser porque eles continuam produzindo colágeno em queratinócitos por um longo tempo. Por outro lado, nós, humanos, não podemos manter a produção de colágeno em queratinócitos após o nascimento. Se pudermos esclarecer o mecanismo que permite que os axolotes mantenham os queratinócitos produzindo colágeno durante toda a vida, poderemos atingir a juventude eterna, assim como os axolotes."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Keratinocyte-driven dermal collagen formation in the axolotl skin
Autores: Ayaka Ohashi, Hirotaka Sakamoto, Junpei Kuroda, Yohei Kondo, Yasuhiro Kamei, Shigenori Nonaka, Saya Furukawa, Sakiya Yamamoto, Akira Satoh
Publicação: Nature Communications
Vol.: 16, Article number: 1757
DOI: 10.1038/s41467-025-57055-7
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