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16/03/2010

Vitamina D é essencial para ativar o sistema imunológico

Sandra Szivos
Vitamina D é essencial para ativar o sistema imunológico
A descoberta de que a vitamina D é essencial para ativar o sistema imunológico dá novas ferramentas para que os médicos lidem com as reações autoimunes e até mesmo combatam a rejeição de órgãos transplantados. [Imagem: Bartosz Kosiorek]

Vitamina essencial

Quando o corpo humano lutra contra uma infecção, as células T (timo) ajudam a nos manter saudáveis localizando e destruindo vestígios da presença dos patógenos, os agentes infecciosos externos que nos atacam.

Mas uma nova pesquisa feita na Dinamarca mostra que as células T precisam de boas doses de vitamina D no sangue a fim de entrarem em ação e executar o seu papel corretamente.

Esta descoberta, cujos detalhes foram publicados na revista científica Nature Immunology, dá novas ferramentas para que os médicos lidem com as reações autoimunes e até mesmo combatam a rejeição de órgãos transplantados.

Células T

As células T são um tipo de glóbulo branco que desempenham um papel central no sistema imunológico. A fim de encontrar, reagir e lutar contra várias infecções no corpo, as células T devem passar de um estado de células dormentes e inócuas para um estado de células ativas, capazes de matar as bactérias e os vírus.

Os cientistas da Universidade de Copenhague agora descobriram que a vitamina D é um elemento crítico para que as células T façam essa transição e cumpram seu papel.

Sem fontes suficientes da vitamina D no sangue, dizem os pesquisadores, as células permanecem latentes e são, portanto, incapazes de se "ativar" para lutar contra os patógenos externos.

Antena receptora de vitamina

"Quando uma célula T é exposta a uma patógeno invasor, ela estende um dispositivo de sinalização, uma espécie de 'antena', que se sabe ser um receptor da vitamina D, com a qual ela procura pela vitamina D," diz Carsten Geisler, um dos autores do estudo.

"Isto significa que a célula T deve dispor de vitamina D ou a ativação da célula cessará. Se as células T não conseguirem encontrar uma quantidade suficiente de vitamina D no sangue, elas não vão nem mesmo começar a se mobilizar," diz o pesquisador.

Fontes de vitamina D

A luz solar é a fonte natural de vitamina D, que é produzida quando a pele é exposta ao Sol.

Muito poucos alimentos contêm grandes quantidades de vitamina D. Entre as melhores fontes estão os peixes com alto teor de gordura, como salmão, atum e cavala, enquanto pequenas quantidades de vitamina D podem ser encontradas no queijo, leite e gema de ovo.

Embora os especialistas recomendem uma dose diária de entre 25 e 50 microgramas de vitamina D, não há estudos definitivos para determinar a quantidade ideal.

Estudos mostram que os jovens brasileiros têm insuficiência de vitamina D. A falta da vitamina também é apontada como causa da elevação do risco de hipertensão em mulheres, do aumento do risco de gripe e de problemas no coração.

Ativação do sistema imunológico

Os cientistas foram capazes de seguir a sequência bioquímica associada à transformação de uma célula T de sua forma inativa até sua forma ativa.

Esta capacidade de acompanhar a sequência representa a possibilidade de intervir em muitos pontos desse caminho a fim de modular a resposta imunológica.

A principal conclusão foi que as células T inativas não contêm o receptor de vitamina D e uma molécula específica, chamada PLC-gamma1.

"Os cientistas sabem há muito tempo que a vitamina D é importante para a absorção de cálcio e a falta desta vitamina também tem sido ligada a doenças como câncer e esclerose múltipla, mas o que nós não sabíamos é como a vitamina D é crucial na ativação do sistema imunológico. Agora já sabemos," afirma o Dr. Geisler.

Reações autoimunes e rejeição de órgãos

Este novo conhecimento tem o potencial para ajudar a regular a resposta imunológica do organismo, que é importante não só no que diz respeito ao combate a doenças, mas também para lidar com as reações anti-imunes e com a rejeição de órgãos - após os transplantes de órgãos, as células T podem começar a atacar o órgão do doador como sendo um invasor externo.

O Dr. Geisler acrescenta que a pesquisa poderá ajudar também a combater doenças infecciosas e epidemias globais.

"[Os resultados] terão um uso especial no desenvolvimento de novas vacinas, que funcionam seja treinando nosso sistema imunológico para reagir, seja suprimindo as defesas naturais do nosso corpo em situações nas quais isto é importante no tratamento - como é o caso dos transplantes de órgãos e das doença autoimunes."


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