25/01/2023

Sentimentos de culpa são curados com placebo

Redação do Diário da Saúde

Culpa

Nós nem sempre nos comportamos impecavelmente em relação aos outros. E, quando percebemos que inadvertidamente ferimos alguém, muitas vezes nos sentimos culpados.

A culpa é um sentimento desconfortável, por isso nos motiva a tomar medidas corretivas, como pedir desculpas ou confessar o erro.

É por isso que a culpa é considerada uma emoção moral importante, desde que seja adaptativa, ou seja, adequada e proporcional à situação.

"Ela pode melhorar as relações interpessoais e, portanto, é valiosa para a coesão social," comenta o professor Dilan Sezer, da Universidade da Basileia (Suíça).

É claro que sempre há os extremos. De um lado, nem todos percebem o erro, ou não se sentem responsáveis por ele, perdendo o aspecto positivo do sentimento de culpa - por exemplo, os homens sentem menos culpa do que as mulheres. Do outro lado, a culpa pode se tornar patológica, deixando a pessoa presa ao passado, prejudicando sua atuação natural no presente.

O Dr. Sezer está interessado em reduzir a culpa, pensando neste último caso, quando ela descamba para o extremo, tornando-se incômoda e prejudicial. Para isso, ele teve uma ideia um tanto inusitada: Tratar a culpa nas pessoas fazendo-as tomar um placebo.

Emoção gerada por placebo

Para início de conversa, a equipe precisou despertar sentimentos de culpa nos voluntários. Para isso, os pesquisadores pediram aos participantes dos seus experimentos que escrevessem sobre uma ocasião em que desrespeitaram regras importantes de conduta ou trataram alguém injustamente, magoaram ou até mesmo prejudicaram alguma pessoa. A ideia era que os participantes se sentissem mal com a situação.

A seguir, os voluntários foram sorteados para três situações: Um grupo recebeu pílulas de placebo com a informação enganosa de que se tratava de um medicamento real, enquanto os participantes do segundo grupo tomaram o mesmo placebo mas sabendo que era um placebo. Mas foi dito a ambos os grupos que o comprimido seria eficaz contra sentimentos de culpa. O terceiro grupo, de controle, não recebeu nenhum tratamento. Todos os participantes eram saudáveis, não tinham transtornos psiquiátricos e não estavam sendo tratados com psicotrópicos.

Os resultados mostraram que os sentimentos de culpa foram significativamente reduzidos em ambos os grupos de placebo em comparação com aqueles do grupo de controle.

"Nosso estudo, portanto, apóia a descoberta intrigante de que os placebos funcionam mesmo quando são administrados abertamente, e que a explicação do tratamento é a chave para sua eficácia," afirmou Sezer.

Placebo reduz sentimentos de culpa
A culpa induzida nas crianças pelos pais é um exemplo de culpa mal-adaptativa.
[Imagem: Gerd Altmann/Pixabay]

Culpa mal-adaptativa

A equipe destaca que, quando os sentimentos de culpa são irracionais e persistem por longos períodos de tempo, eles são considerados mal-adaptativos - em outras palavras, desproporcionais. Essas emoções podem afetar a saúde e também são, entre outras coisas, um sintoma comum da depressão.

Estes resultados são um passo inicial promissor na direção de tratamentos para sintomas específicos e mais éticos para queixas psicológicas, já que a administração de um placebo aberto - quando o paciente sabe que é um placebo - mostrou-se capaz de tratar uma emoção forte como a culpa.

O próximo passo será estudar se o placebo também funciona contra a culpa mal-adaptativa.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Deceptive and open-label placebo effects in experimentally induced guilt: a randomized controlled trial in healthy subjects
Autores: Dilan Sezer, Cosima Locher, Jens Gaab 
Publicação: Nature Scientific Reports
Vol.: 12, Article number: 21219
DOI: 10.1038/s41598-022-25446-1
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