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29/07/2010

Pacientes soropositivos têm relação afetiva estável

Agência USP

Amor e AIDS

Um estudo realizado pela Casa da Aids, ambulatório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mostrou que 60% dos pacientes com HIV/AIDS atendidos têm relação afetiva estável, independentemente da orientação sexual.

Entre esses pacientes, 2/3 revelaram ter relação sexual com pessoas não portadoras do vírus e 1/3 disseram se relacionar com pessoas soropositivas.

"Embora muitos falem para o parceiro sobre sua soropositividade, ainda há uma pequena parcela que tem dificuldade", diz Eliana Gutierrez, médica infectologista que dirige o ambulatório e coordenou a pesquisa.

Tocando em frente

O ambulatório do HC atende 3.300 pacientes soropositivos. Destes, 292 foram sorteados para a pesquisa.

De acordo com Eliana Gutierrez, algumas características reveladas nas entrevistas mostram que os pacientes conseguiram retomar sua vida econômica, social e afetiva.

Os pacientes entrevistados estão em tratamento no ambulatório, em média, há 11 anos. "A maioria é do sexo masculino e têm idade média de 44 anos", diz a médica. Os números mostram que 70% são homens e 30% mulheres.

A coordenadora da pesquisa também ressalta que 57% dos entrevistados possuem 11 anos ou mais de escolaridade. Em relação ao mercado de trabalho, 75% estão ativos no mercado e apenas 9% estão fora dele. "Outros 16% estão aposentados", lembra Eliana. Outro dado relevante é em relação à moradia. A maioria dos entrevistados, 68%, residem com seus familiares, outros 6% em albergues, e 27% declararam que vivem só.

Tratamento antirretroviral

A médica salienta que o principal objetivo da pesquisa foi identificar os fatores associados à adesão ao tratamento antirretroviral do HIV. Segundo Eliana, dos portadores do vírus que frequentam a Casa da Aids e fazem uso dos medicamentos, 94% avaliam o resultado do tratamento como bom.

Com os avanços nas pesquisas, as pessoas infectadas convivem com o HIV e muitos estão envelhecendo com ele e tornando-se pacientes complexos. Mas apesar das complexidades trazidas pelo vírus - pelo uso de coquetel e pela idade - é possível dizer que a situação é muito melhor do que há 20 anos. "Hoje, os infectados pelo vírus já se permitem pensar no futuro", ressalta a médica.

A Casa da Aids funciona desde 1994 no HC e, segundo Eliana, está com sua lotação completa para o atendimento. "As exceções ficam por conta das gestantes e adolescentes, considerados grupos de risco", lembra.


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