Ministério da Cultura suspende apoio a movimento contra o aborto

Ministério da Cultura suspende apoio a movimento contra o aborto
3ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida e pela Paz, evento promovido pelo Movimento Nacional em Defesa da Vida - Brasil Sem Aborto, segue para a Esplanada dos Ministérios
[Imagem: José Cruz/ABr]

Marcha pela vida

O Movimento Brasil sem Aborto realizou em Brasília a terceira edição da Marcha Nacional da Cidadania pela Vida. O objetivo da mobilização é protestar contra a possibilidade de mudanças na legislação para descriminalizar o aborto, em discussão no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento é formado por organizações não-governamentais e entidades ligadas à Igreja Católica.

Na última sexta-feira (28), o Ministério da Cultura suspendeu repasse de R$113 mil que havia sido autorizado para o evento. Em nota, o ministério diz que houve "omissão de informação na apresentação do projeto", que não deixava claro que a marcha se tratava de uma manifestação contra o aborto.

Parcialidade do governo

A organização do evento se defende e afirma que o projeto estava claro ao propor ações culturais em defesa da vida, além de ter sido aprovado sob os aspectos técnico e jurídicos pelo Ministério da Cultura.

Na avaliação do Movimento Brasil sem Aborto, a suspensão do patrocínio é um cerceamento da liberdade de expressão e demonstra parcialidade do governo em relação ao tema. Os ativistas alegam que em 2008 um filme pró-aborto produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi financiado com dinheiro público.

Aborto como violência

Um dos organizadores da caminhada, o coordenador do Projeto Cultura, Cidadania e Vida, Jaime Ferreira Lopes, diz acreditar que o aborto é a "matriz mais forte" de todos os tipos de violência, por isso a necessidade de manifestações coletivas contra a prática.

"O enfoque é na defesa da vida e na cultura da paz e, o aborto, sendo uma prática da violência que atinge a mulher e o ser em gestação, será trabalhado", disse Lopes. Para ele, o tema aborto tem sido "razoavelmente" discutido no Brasil. "Vivemos em uma sociedade democrática em que as pessoas podem colocar seus pontos de vista. O debate está colocado, mas não está finalizado", afirmou.

Morte certa

"Podemos multiplicar as mortes por dois. Morre também outro ser humano, além da mãe, que é o feto", disse Lopes, ao comentar um dos principais argumentos de grupos favoráveis à legalização do aborto no país - o de que milhares de mulheres morrem todos os anos por conta de abortos clandestinos.

Os ativistas concordam com os problemas associados ao risco de morte das mulheres que fazem aborto clandestino, mas afirmam que garantir a morte certa do feto não é uma forma lógica de abordar a questão.

A caminhada realizada em Brasília foi encerrada com uma apresentação da cantora Elba Ramalho.


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