INCA mantém restrições ao exame de toque retal

Se o paciente quiser

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) emitiu nova nota a respeito dos exames de toque retal e PSA para prevenção do câncer de próstata, na qual o Instituto reafirma sua postura anterior, contrária à recomendação dos exames para homens sem sintomas, mas dizendo que os exames podem ser feitos de comum acordo entre médico e paciente.

Segundo a nota, os exames fazem parte da conduta médica quando pacientes do sexo masculino procuram um urologista. Estes exames, que podem diagnosticar doenças benignas ou malignas da próstata, devem continuar a ser feitos quando o médico, em concordância com o paciente, julgar necessário.

No restante do comunicado, o INCA reafirma a posição formulada no comunicado anterior, pautando-se nas evidências científicas para afirmar que não se deve fazer uma recomendação em larga escala para a população - o chamado rastreamento. Para isso, o órgão cita os estudos científicos no qual se baseou para fazer suas afirmações.

Veja abaixo a íntegra da nota:

O exame de toque retal, a dosagem do antígeno prostático específico (PSA, na sigla em inglês), ultra-som e biópsias fazem parte da conduta médica quando pacientes do sexo masculino procuram um urologista. Estes exames, que podem diagnosticar doenças benignas ou malignas da próstata, devem continuar a ser feitos quando o médico, em concordância com o paciente, julgar necessário.

O rastreamento, por sua vez, é uma política de saúde pública que consiste em convocar toda a população que atenda a critérios específicos para fazer determinados exames. O emprego do rastreamento deve estar norteado por evidências técnicas e científicas de qualidade.

Em relação ao câncer de próstata, por não haver, até o momento, evidências científicas para que o rastreamento seja recomendado como política de saúde pública, o Instituto Nacional de Câncer recomenda que não se organizem ações de rastreamento para essa doença e que homens que demandem espontaneamente a realização de exames sejam orientados por seus médicos. O INCA continuará acompanhando o debate científico sobre o tema.

Estudos científicos

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomenda o rastreamento do câncer de próstata baseado em achados de cinco grandes estudos internacionais que concluem que a prática não reduz a mortalidade causada pela doença.

Estudo americano de 2007 diz "não existir evidência suficiente para recomendar ou para não recomendar o exame rotineiro do câncer de próstata com PSA e toque retal, uma vez que as evidências de sua efetividade são inexistentes, de baixa qualidade ou conflitantes e que o balanço entre benefícios e danos não pode ser determinado".

O canadense, de 1994, concluiu que há pobre evidência para incluir ou excluir o toque retal e satisfatória evidência para excluir o PSA e o ultra-som trans-retal do exame periódico de homens assintomáticos acima de 50 anos.

Um terceiro, europeu, de 1999, contra-indica o rastreamento para o câncer da próstata "frente à ausência de evidências demonstrando os benefícios desta tecnologia e aos riscos consideráveis do tratamento deste câncer em fase inicial".

Dois grandes estudos internacionais em curso que investigam o impacto do rastreamento do câncer de próstata na mortalidade não apresentam ainda conclusões definitivas. Ambos têm constatado excesso de diagnósticos de câncer de próstata nos grupos rastreados e a maior probabilidade de detecção de tumores com melhor prognóstico. Os resultados divulgados reiteram a necessidade de maior tempo de seguimento para demonstrar se haverá ou não redução da mortalidade do câncer de próstata com o rastreamento.

Referências

  • Canadian Task Force on Preventive Health Care, 1994
    (http://www.ctfphc.org/)
  • U.S. Preventive Service Task Force, 2007
    (http://www.ahrq.gov/clinic/uspstf/uspsprca.htm)
  • International Network of Agencies for Health Technology Assessment, 1999
    (http://www9.euskadi.net/sanidad/osteba/
    datos/d_99-3_prostate_cancer_screening.pdf)
  • Health Technology Assessment , 1997
    (http://www.hta.ac.uk/fullmono/mon102.pdf)

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