Honesto individualmente, desonesto em grupo

Honesto individualmente, desonesto em grupo
É mais fácil ser honesto sozinho do que fazendo parte de um grupo, onde se busca outras justificativas para o próprio comportamento.
[Imagem: Pixabay]

Eu sou honesto, mas o grupo não me deixa ser

Se você quer interagir com alguém e espera que esse alguém tenha uma postura ética, é melhor conversar com ele a sós.

Mais um estudo experimental concluiu que os grupos são mais propensos a se comportar de forma não-ética do que os indivíduos - os mesmos indivíduos que fazem parte desses grupos.

A honestidade é apregoada como uma virtude e geralmente louvada como um valor moral vital.

Ocorre que a maioria das decisões em nossa sociedade é tomada por grupos. E, nesses grupos, o respeito pela verdade rapidamente dá lugar a outras considerações.

Foi o que demonstraram os experimentos realizados por Martin Kocher, Simeon Schudy e Lisa Spantig, da Universidade de Munique (Alemanha).

Individual versus coletivo

As práticas não-éticas de executivos e funcionários de empresas e do governo, em busca de vantagens comerciais ou pessoais, tornaram-se uma fonte regular de manchetes nos meios de comunicação.

A equipe abordou esse problema simulando um cenário experimental para investigar as circunstâncias que facilitam essa desonestidade.

Em particular, eles se concentraram na questão de se o desrespeito às normas morais é uma questão de escolha individual ou um produto de fatores estruturais dentro dos grupos.

Os participantes tinham que assistir a um vídeo de um único dado rolando e relatar o número final, e esse número determinava seu pagamento pela participação no experimento. Nessa situação, os participantes enfrentavam um dilema entre relatar o resultado com sinceridade ou relatar um número que correspondesse a um pagamento maior. A tarefa foi apresentada a participantes individuais ou a pequenos grupos. Na condição do grupo, os membros podiam trocar mensagens anonimamente um com o outro antes de reportarem o resultado do dado.

"Nossos resultados são inequívocos: as pessoas são menos propensas a mentir se decidirem por conta própria," conta o professor Martin Kocher.

Deslocamento para a desonestidade

Mesmo os grupos compostos de participantes que relataram individualmente com sinceridade decidiram fazer um relato falso no grupo. Os pesquisadores referem-se a esse fenômeno como uma "deslocamento para a desonestidade". Os experimentos sugerem que a troca de argumentos sobre a validade da norma de honestidade é o principal motor desse efeito.

"O feedback é o fator decisivo. A tomada de decisão em grupo envolve uma troca de pontos de vista que pode alterar o peso relativo atribuído à norma relevante [a honestidade]. Nessa configuração, os participantes podem reinterpretar mais facilmente a norma do que nos casos em que a decisão é feita individualmente," explicou Lisa Spantig.

O experimento também mostrou que essas discussões tendem a tornar os participantes mais pessimistas quanto à honestidade dos outros e seu cumprimento das normas, o que é usado pelos grupos para justificar seu comportamento desonesto - algo como "Não preciso ser honesto porque os outros provavelmente não serão."


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