Fármacos ativam células tronco e fazem cabelo crescer

Fármacos ativam células tronco e fazem cabelo crescer
Pele não tratada das cobaias sem crescimento de pelos (à esquerda), em comparação com a pele tratada com o composto UK5099 (à direita), apresentando crescimento de pelos.
[Imagem: UCLA Broad Stem Cell Center/Nature Cell Biology]

Células-tronco do folículo piloso

Acaba de ser descoberta uma nova técnica para ativar as células-tronco no folículo piloso, fazendo crescer o cabelo - ou, ao menos, o pelo de animais de laboratório.

Os resultados, embora iniciais, podem levar a novos medicamentos que possam promover o crescimento do cabelo em pessoas com calvície, ou alopecia, que é a perda de cabelo associada a fatores como desequilíbrio hormonal, estresse, envelhecimento ou tratamentos de quimioterapia.

As células-tronco do folículo piloso são células muito duradouras - elas estão presentes na pele e produzem cabelos ao longo da vida de uma pessoa. Elas são "quiescentes", o que significa que normalmente ficam inativas, ativando-se rapidamente durante um novo ciclo de cabelo, que é quando ocorre o crescimento do cabelo novo.

A quiescência das células-tronco do folículo piloso é regulada por muitos fatores. Em certos casos, algum desses fatores não se faz presente e elas não conseguem se ativar, o que impede o "repovoamento" do cabelo.

Metabolismo capilar

Agora, as equipes dos pesquisadores Heather Christofk e William Lowry, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA), descobriram que o metabolismo das células-tronco do folículo capilar é diferente do metabolismo de outras células da pele.

O metabolismo celular envolve o processamento dos nutrientes necessários para que as células se dividam, produzam energia e respondam ao seu ambiente. O metabolismo usa enzimas que alteram esses nutrientes para produzir "metabólitos".

À medida que as células-tronco do folículo piloso usam como nutriente a glicose - uma forma de açúcar - extraída da corrente sanguínea, elas processam essa glicose para eventualmente produzir um metabólito chamado piruvato. As células podem ou enviar o piruvato para suas mitocôndrias - a parte da célula que gera energia - ou converter o piruvato em outro metabólito chamado lactato.

"Nossas observações sobre o metabolismo das células-tronco do folículo capilar nos levaram a examinar se a diminuição genética da entrada do piruvato nas mitocôndrias forçaria as células-tronco do folículo capilar a produzirem mais lactato, e se isso ativaria as células e faria o cabelo crescer mais rapidamente," explicou Christofk.

Fármacos promissores contra calvície

A equipe primeiro bloqueou geneticamente a produção de lactato em camundongos e mostrou que isso impede a ativação da célula-tronco do folículo capilar. Inversamente, ao aumentar geneticamente a produção de lactato nos camundongos eles aceleraram a ativação das células-tronco do folículo capilar, aumentando o ciclo do cabelo.

A equipe identificou dois fármacos que, quando aplicados na pele dos camundongos, influenciaram as células-tronco do folículo piloso de maneiras distintas para promover a produção de lactato. O primeiro, chamado RCGD423, ativa uma via de sinalização celular chamada JAK-Stat, que transmite informações de fora da célula para o núcleo da célula. A ativação da via JAK-Stat leva ao aumento da produção de lactato e isso, por sua vez, otimiza a ativação das células-tronco do folículo capilar e um crescimento mais rápido do cabelo. O outro fármaco, chamado UK5099, impede que o piruvato entre nas mitocôndrias, o que força a produção de lactato nas células-tronco do folículo capilar e acelera o crescimento do cabelo - isto é, do pelo dos camundongos.

Embora os resultados sejam altamente promissores, os dois fármacos experimentais foram usados até agora apenas em testes pré-clínicos, ou seja, nunca foram testados em seres humanos e nem têm ainda aprovação para tal. A seguir, será necessário comprovar que eles são seguros para serem testados em humanos. Só então poderão começar os testes com vistas à cura da calvície.

A pesquisa foi publicada na revista Nature Cell Biology.


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