Diabetes: Novo tratamento promete semanas de glicose sob controle

Diabete: Novo tratamento promete semanas de glicose sob controle
O biopolímero, produzido por uma bactéria, forma uma espécie de depósito que libera o medicamento continuamente ao longo de semanas.
[Imagem: Kelli M Luginbuhl et al. - 10.1038/s41551-017-0078]

Controle sustentado da glicose

Uma nova terapia em estágio experimental promete semanas de controle da glicose para o diabetes com uma única injeção, o que seria uma melhoria dramática em relação às terapias atuais, que geralmente exigem picadas diárias.

Nos primeiros testes em primatas, o tratamento demonstrou durar semanas, em vez dos dias das melhores terapias atuais.

Ao criar um mecanismo de liberação controlada para o fármaco e otimizar seu tempo de circulação no corpo, a nova injeção de biopolímero tem o potencial para substituir as injeções de insulina diárias ou semanais por tratamentos de uma ou duas vezes por mês para os pacientes com diabetes tipo 2.

A equipe liderada por Kelli Luginbuhl e Ashutosh Chilkoti, da Universidade de Duke (EUA), descreveram os primeiros resultados promissores em um artigo publicado na revista Nature Biomedical Engineering.

Liberação controlada de medicamento

Vários tratamentos atuais para o diabetes tipo 2 usam uma molécula de sinalização conhecida como GLP1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon) para induzir o pâncreas a liberar insulina para controlar os níveis de açúcar no sangue. No entanto, este peptídeo tem uma meia-vida curta e o corpo se livra dele rapidamente.

Para que os tratamentos pudessem durar mais, os pesquisadores já haviam fundido o GLP1 com microesferas sintéticas e biomoléculas (anticorpos), o que permitiu que ele ficasse ativo por dois a três dias em animais de laboratório e por até uma semana em seres humanos. Apesar dessa melhoria, muitos desses tratamentos não incluem um mecanismo para controlar a taxa de liberação do peptídeo, fazendo com que a eficácia do tratamento se estabilize após o uso prolongado.

Agora, os pesquisadores criaram uma tecnologia que funde o GLP1 com um polipeptídeo conhecido como ELP (polipeptídeo do tipo elastina sensível ao calor) em uma solução que pode ser injetada na pele por meio de uma seringa comum.

Uma vez injetada, a solução reage devido ao calor do corpo, formando um "depósito" biodegradável parecido com um gel, que então libera lentamente a droga à medida que se dissolve. Nos experimentos com animais, a terapia proporcionou o controle de glicose até três vezes mais do que os tratamentos atualmente no mercado.

Biopolímero

A equipe planeja agora estudar a resposta imune a repetidas injeções do tratamento e testar o material com outros modelos animais, antes de passar aos testes em humanos.

O Dr. Chilkoti afirma que, como o fármaco é sintetizado dentro de culturas bacterianas de E. coli - daí ser chamado de biopolímero -, e não em células de mamíferos, ele é mais rápido de produzir e deverá ser mais barato.


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