Confusão entre diagnósticos de dengue, zika e chikungunya é preocupante

Confusão entre diagnósticos de dengue, zika e chikungunya é preocupante
Recentemente surgiram as primeiras esperanças, com o desenvolvimento da primeira vacina experimental contra a febre chikungunya.
[Imagem: Jesse H Erasmus et al. - 10.1038/nm.4253]

Falta de preparo

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a previsão de epidemias de zika, dengue e chikungunya neste verão somente será evitada com uma ação coordenada entre os agentes de saúde, sobretudo os médicos e demais profissionais de pronto-atendimento.

O problema é que as unidades de saúde podem não estar capacitadas para identificar as diferenças entre os vírus, todos transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

A confusão entre os diagnósticos pode ser perigosa para os pacientes, porque as doenças exigem tratamentos diferentes.

"A preocupação é grande. Os profissionais precisam de capacitação para que aprendam a fazer o diagnóstico diferencial entre as três doenças. Se for dengue e estiver tratando como zika, a pessoa pode morrer," alertou José Augusto de Britto, da Fiocruz.

Para lidar com o problema, a entidade está propondo ao Ministério da Saúde a realização de um curso para capacitar os profissionais de saúde sobre as três doenças.

Mais chikungunya

"Com a dengue, é preciso tomar muito cuidado, porque mata. A zika quase não causa nada para as pessoas em geral. Faz muito mal às gestantes, que têm um risco ter seu bebê com microcefalia", explicou o médico. "A chikungunya tem um acometimento muito intenso. Não é uma doença que mata a pessoa, mas incapacita."

Ao contrário da dengue e da zika, que já tiveram grande incidência em anos anteriores, a chikungunya encontrará uma população "virgem", ou seja, sem imunidade ao vírus. A literatura médica aponta, segundo Britto, que é possível que a "taxa de ataque" da doença em situações como esta possa ser de 30% a 50% da população, mas que ainda se conhece pouco do comportamento do vírus.

Com isto, 2017 poderá ser o ano em que os casos de chikungunya superarão os de dengue e zika, e a doença preocupa por causar dores fortes, que incapacitam quem é infectado. Caso os sintomas da chikungunya se prolonguem por mais de 15 dias, há chances de ela se tornar crônica. Neste caso, as dores nas articulações podem permanecer por mais de dois anos.

Além dos analgésicos para conter as dores, a doença requer repouso absoluto de pelo menos 15 dias, o que reduz suas possibilidades de evolução para um quadro crônico. Vital em casos de dengue, a hidratação não é prioritária em casos de chikungunya. Para ambas, o repouso é indispensável.

A semelhança de sintomas entre as três doenças é grande, mas a chikungunya se destaca pela intensidade das dores nas articulações, segundo o coordenador da Fiocruz.


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