Cirurgia e stent têm mesma segurança e eficácia contra derrame

Prevenção de derrame cerebral

Um novo estudo de pessoas sob risco de derrame cerebral mostrou que dois procedimentos médicos, desenvolvidos para prevenir futuros derrames, são ambos seguros e eficazes.

Os médicos terão, agora, mais opções para programar tratamentos para pacientes sob risco de derrame cerebral.

No estudo com 2.502 participantes, a endarterectomia da artéria carótida (CEA - carotid endarterectomy), um procedimento cirúrgico para limpar fluxos sanguíneos obstruídos e considerado o padrão-ouro do tratamento de prevenção contra derrames, foi comparado com o implante de stent na artéria carótida (CAS - carotid artery stenting), um procedimento novo e menos invasivo, que envolve a colocação de um stent e a expansão de um pequeno dispositivo protético na artéria para dilatar a área bloqueada e capturar qualquer placa desalojada.

Revascularização ou stent

Um dos maiores estudos clínicos randomizados para a prevenção do derrame cerebral, o "Estudo da Endarterectomia de Revascularização da Carótida versus Implante de stent (CREST - Carotid Revascularization Endarterectomy vs. stenting Trial)" foi realizado em 117 centros nos Estados Unidos e no Canadá, em um período de nove anos.

O CREST comparou a segurança e a eficácia do CEA e do CAS em pacientes com ou sem derrames prévios. O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames Cerebrais (NINDS - National Institute of Neurological Disorders and Stroke), que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, e foi liderado por pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, e da Universidade de Medicina e Odontologia de Nova Jersey, em Newark.

Risco de ataque cardíaco

A segurança e a eficácia dos dois procedimentos foram, de uma maneira geral, bem parecidas, com benefícios semelhantes tanto para homens como para mulheres, bem como para os pacientes que sofreram um derrame cerebral anteriormente e os que não tiveram o mesmo problema. No entanto, quando os pesquisadores examinaram as estatísticas de ataques cardíacos e derrames cerebrais, eles encontraram diferenças.

Os pesquisadores descobriram que ocorreram mais ataques cardíacos no grupo submetido à cirurgia: 2,3%, comparado com 1,1% no grupo submetido ao implante de stent; e mais derrames cerebrais no grupo submetido ao implante de stent: 4,1%, versus 2,3% para o grupo submetido à cirurgia, nas semanas seguintes ao procedimento.

Idade dos pacientes

O estudo também revelou que a idade do paciente é um fator importante. Nos pacientes com cerca de 69 anos ou mais novos, os resultados do implante de stent foram ligeiramente melhores - os benefícios do implante de stent se tornaram tão maiores quanto mais novos eram os pacientes.

Inversamente, para os pacientes com mais de 70 anos, os resultados da cirurgia foram ligeiramente melhores do que os do implante de stent - os benefícios da cirurgia se tornaram tão maiores quanto mais velhos eram os pacientes.

"Os resultados do estudo clínico CREST mostraram que nós dispomos, agora, de dois métodos seguros e eficazes para tratar diretamente a doença da artéria carótida, a antiga e bem-sucedida endarterectomia da artéria de carótida e o recém-chegado implante de stent na artéria carótida", disse o professor de neurologia e diretor de pesquisa da Clínica Mayo de Jacksonville, Thomas G. Brott, M.D., que também é o principal pesquisador nacional do estudo. "Recolhemos evidências de que as pessoas com menos de 70 anos se saíram melhor com o implante de stent, enquanto aqueles com mais de 70 obtiveram melhores resultados com a cirurgia. Mas os resultados gerais para homens e mulheres foram excelentes", afirmou.

"O estudo CREST fornece aos médicos e pacientes as tão necessárias informações sobre riscos e benefícios, para ajudá-los a escolher o melhor procedimento para a carótida, com base no histórico médico de cada indivíduo. Esse processo de tomada de decisão personalizado deve se traduzir em melhores resultados para os pacientes", disse o diretor adjunto do NINDS, Walter J. Koroshetz, M.D.

Derrame cerebral

O derrame cerebral, a terceira maior causa de morte nos Estados Unidos, é causado por uma interrupção do fluxo de sangue no cérebro por coágulo ou hemorragia. As artérias carótidas, nos dois lados do pescoço, constituem a principal fonte de fluxo sanguíneo para o cérebro.

O acúmulo de colesterol na parede da artéria carótida, chamada placa aterosclerótica, é uma das causas do derrame cerebral. Como as pessoas com aterosclerose carótida também têm, normalmente, aterosclerose nas artérias coronárias que suprem o coração, o estudo CREST levantou a taxa de ataques de coração, além das taxas de derrame cerebral e de morte.

Aproximadamente metade dos pacientes que participaram do CREST havia sentido, anteriormente, sintomas de doença da artéria carótida, tais como derrame secundário ou ataque isquêmico transitório (AIT), indicando um risco alto de derrame cerebral no futuro. A outra metade não havia sofrido sintomas, mas, no caso deles, foram detectados estreitamentos da artéria carótida, através de uma variedade de exames para avaliar placas ou obstruções na carótida.

Cenários do mundo real

Uma das vantagens desse estudo, segundo os pesquisadores, é que o CREST foi conduzido em diversos cenários do mundo real, entre os quais grandes e pequenos hospitais públicos e privados. Os médicos precisaram demonstrar um alto grau de competência e segurança para participar do estudo clínico.

O estudo não descobriu diferenças significativas nos resultados, não importa que tipo de especialista médico realizou o implante de stent, incluindo cardiologistas, neurorradiologistas, radiologistas intervencionistas, cirurgiões vasculares e neurocirurgiões.

"Apesar de o propósito do estudo fosse comparar os dois procedimentos, ficamos satisfeitos em saber que tanto a endarterectomia da artéria carótida como o implante de stent se tornaram extraordinariamente seguros", disse o diretor do Departamento de Medicina Cardiovascular do Hospital Lenox Hill de Nova York, Gary Roubin, M.D., Ph.D., um dos pesquisadores líderes do CREST e um dos principais pesquisadores do estudo em implante de stent.

Derrame cerebral e morte

Os pesquisadores observaram que a taxa de derrame cerebral e morte no grupo cirúrgico foi um dos menores já registrados em um estudo clínico, de grande porte, dedicado à prevenção do derrame cerebral. "A taxa de derrame cerebral e morte no procedimento de implante de stent também foi o menor já registrado em qualquer estudo clínico randomizado. Avanços significativos em tecnologia, técnica médica e seleção de pacientes para implante de stent continuaram a ocorrer durante os oito anos de realização do CREST", disse Gary Roubin.

Como resultado, as diferenças fundamentais foram as menores taxas de derrame cerebral pós-cirurgia e as menores taxas de ataque cardíaco pós-implante de stent, segundo os investigadores. Um ano depois do procedimento, os pacientes que sofreram derrames cerebrais relataram que os efeitos do derrame tiveram um impacto maior na qualidade de suas vidas, do que o que foi relatado pelos pacientes que sofreram ataques do coração.

Anos bons pela frente

A idade média dos pacientes participantes do estudo era de 69 anos. "Esses pacientes têm muitos anos bons pela frente e essa é a razão porque as lições que aprendemos com o CREST são tão importantes. As pessoas têm opções muito boas para a prevenção do derrame cerebral que, esperamos, irão estender a duração e especialmente a qualidades de suas vidas", disse Thomas Brott.

O implante de stent na artéria carótida é uma alternativa razoável para a endarterectomia da artéria carótida, principalmente para pacientes que preferem um procedimento menos invasivo e para pacientes mais jovens.

No entanto, é preciso manter em mente que, em casos extremos de derrame cerebral, a endarterectomia da artéria carótida tem se mostrado um procedimento mais seguro. Quando adicionamos as estatísticas de ataques cardíacos, os resultados dos dois procedimentos se mostraram similares", disse o professor e diretor emérito da Divisão de Cirurgia Vascular da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Wesley S. Moore, M.D., que também é um dos principais pesquisadores do segmento de cirurgia do estudo CREST.

Complicações pós cirurgia

O pesquisador acrescentou que também é importante destacar que as complicações de qualquer dos procedimentos testados nesse estudo são os menores registrados até o momento e representam um tributo à qualidade dos cirurgiões e intervencionistas que participaram do estudo clínico.

Os pesquisadores do CREST concluíram que enquanto a endarterectomia da artéria carótida tem um histórico de sucesso e uma durabilidade de longo prazo, ambos os procedimentos são ferramentas seguras e úteis, no lugar certo, para a prevenção de derrames cerebrais. E a tecnologia continua a melhorar cada um dos procedimentos.

"O estudo CREST foi um empreendimento grande e complexo, que irá fornecer à comunidade médica informações importantes sobre as eficiências comparativas desses dois procedimentos. O NINDS está comprometido com um acompanhamento de longo prazo desse grupo de pacientes, que irão nos ajudar a aprender ainda mais sobre como prevenir o derrame cerebral da melhor forma", disse o diretor do NINDS, Story Landis, Ph.D.

Um financiamento parcial do estudo foi alocado pela Abbott, de Abbott Park, Illinois, o fabricante dos stents.


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