Cientistas dizem que já conseguem ler a mente

Cientistas dizem já ser capazes de
Outros pesquisadores afirmam estar próximos não apenas de ler a mente, mas também de compartilhar pensamentos.
[Imagem: New Scientist]

Ler a mente

Cientistas da Universidade Carnegie Mellon (EUA) afirmam que já são capazes de usar os padrões de ativação cerebral, obtidos por exames de ressonância magnética, para identificar pensamentos complexos.

"Um dos grandes avanços do cérebro humano foi a capacidade de combinar conceitos individuais em pensamentos complexos, para pensar não apenas em 'bananas', mas 'Eu gosto de comer bananas à noite com meus amigos'.

"Finalmente desenvolvemos uma maneira de ver os pensamentos dessa complexidade no sinal fMRI [ressonância magnética funcional]. A descoberta dessa correspondência entre pensamentos e padrões de ativação do cérebro nos diz do que os pensamentos são construídos," disse Marcel Just, que realizou a pesquisa com a colaboração de Jing Wang e Vladimir Cherkassky.

Os resultados indicam que os blocos de construção da mente para elaborar pensamentos complexos são formados pelos vários sub-sistemas do cérebro e não são baseados em palavras. Os dados indicam que as dimensões neurais da representação conceitual são universais entre as pessoas, mesmo entre as que falam diferentes idiomas.

Para chegar a esta conclusão, a equipe usou programas de computador baseados em uma técnica de inteligência artificial conhecida como "aprendizado de máquina" para interpretar as imagens do cérebro dos voluntários. Segundo eles, seus programas de fato já conseguem "ler a mente" das pessoas e deduzir seus pensamentos - ao menos dos pensamentos envolvendo as frases treinadas pelos voluntários durante o experimento.

Cientistas dizem já ser capazes de
A ressonância magnética funcional é a técnica de imageamento cerebral preferida dos neurocientistas envolvidos com a leitura da mente.
[Imagem: Ariana Anderson/UCLA]

Pensamentos no cérebro

Trabalhos anteriores da equipe já haviam demonstrado que os pensamentos sobre objetos familiares - como bananas ou martelos - evocam padrões de ativação que envolvem os sistemas neurais que usamos para lidar com esses objetos. Por exemplo, a forma como você interage com uma banana envolve a aparência da fruta, como você a segura e como você a descasca.

Este novo estudo demonstrou que a codificação do cérebro referente a 240 eventos complexos usa um alfabeto de 42 componentes de significado, ou "características semânticas neuralmente plausíveis", consistindo em características como pessoa, ambiente, tamanho, interação social, ação física etc. Cada tipo de informação é processada em um sistema cerebral diferente - que é como o cérebro também processa informações sobre os objetos.

Baseando-se no nível de ativação em cada sistema cerebral, conforme mostrado pelo exame de ressonância magnética, o programa consegue dizer quais tipos de pensamentos estão sendo contemplados pelo voluntário a cada momento.

Cientistas dizem já ser capazes de
Um programa de computador analisa as imagens do cérebro e deduz em qual de 240 frases possíveis o voluntário está pensando.
[Imagem: Carnegie Mellon University]

Mapa dos conhecimentos no cérebro

Os pesquisadores usaram um modelo computacional para avaliar como os padrões de ativação do cérebro para 239 frases correspondiam às características semânticas neuralmente plausíveis que caracterizavam cada sentença. Então, o programa conseguia decodificar as características da 240ª sentença restante. Usando sete participantes adultos, o experimento foi repetido para deixar de fora cada uma das 240 frases, no que é chamado de validação cruzada.

O modelo foi capaz de prever a sentença faltante com precisão de 87%. Ele também conseguiu trabalhar no sentido inverso, prevendo o padrão de ativação de uma sentença anteriormente não vista, conhecendo apenas suas características semânticas.

"Um próximo passo pode ser decodificar o tipo geral de tópico em que uma pessoa está pensando, como geologia ou andar de skate. Estamos a caminho de fazer um mapa de todos os tipos de conhecimento no cérebro," disse o professor Just.

Os resultados foram publicados na revista Human Brain Mapping.


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