Borboletas usam plantas medicinais para tratar seus filhotes

Borboletas usam plantas medicinais para tratar seus filhotes
A planta só terá efeitos benéficos para os filhotes, não sendo capaz de destruir o protozoário na própria borboleta-mãe.
[Imagem: Jaap de Roode]

Medicar os filhos

Se você se interessa por plantas medicinais e medicamentos naturais, saiba que este não é um comportamento exclusivo dos super evoluídos seres humanos.

As borboletas monarca também utilizam plantas medicinais para tratar seus filhotes de doenças.

A descoberta foi feita por um grupo de cientistas das universidades de Michigan e Emory, ambas nos Estados Unidos.

"Nós comprovamos que algumas espécies de serralha - a planta que serve de alimento para as larvas da borboleta - reduzem as infecções parasitárias nas monarcas," conta o biólogo Jaap de Roode. "E nós também descobrimos que as borboletas fêmeas infectadas preferem depositar seus ovos em plantas que diminuirão o efeito da doença em seus filhotes, sugerindo que as monarcas desenvolveram a capacidade de medicar seus filhos."

Automedicação materna

Poucos estudos têm sido feitos sobre a automedicação feita por animais, mas alguns cientistas especulam que a prática pode ser mais ampla do que imaginamos.

"Vários critérios devem ser atendidos a fim de demonstrar que a automedicação realmente está ocorrendo", explica Mark Hunter, coautor da pesquisa. "Neste estudo, todos esses critérios foram atendidos, tornando-se uma das primeiras demonstrações claras de automedicação em um animal. Além disso, é o primeiro exemplo de medicação transgeracional, com o comportamento da mãe beneficiando seus filhos."

As descobertas foram publicadas na revista científica Ecology Letters.

Farmácia verde

As descobertas sobre os cuidados médicos que as mamães-borboletas tomam em relação aos seus filhotes também poderão ter implicações para a saúde humana.

"Quando eu ando lá fora, eu penso nas plantas que vejo como uma grande farmácia verde. Mas o que também me surpreende é quão pouco realmente sabemos sobre o que essa farmácia tem a nos oferecer", disse Hunter.

"Estudar os organismos envolvidos na automedicação nos dá pistas sobre quais compostos pode valer a pena investigar por seu potencial como medicamento de uso humano. Pesquisadores têm estudado os tipos de folhas que os primatas comem nas florestas, mas este trabalho com borboletas destaca que mesmo insetos em nosso próprio quintal podem ser indicadores úteis do que poderia ser medicinalmente ativo."

Preocupação com os filhotes

As lagartas de monarca alimentam-se de qualquer uma de dezenas de espécies de plantas serralha, incluindo algumas espécies que contêm altos níveis de venenos para o coração, chamado cardenolidas. Estes compostos químicos não prejudicam as lagartas, mas as tornam tóxicas aos predadores, mesmo depois que elas emergem como adultos de suas crisálidas.

As pesquisas anteriores haviam sido focadas em saber se as borboletas escolhem a espécie mais tóxica de serralha para afastar os predadores.

Agora os pesquisadores se perguntaram se a escolha poderia estar relacionada com um parasita, o protozoário Ophryocystis elektroscirrha que infecta as monarcas.

Os parasitas invadem o intestino das lagartas e sobrevivem quando as lagartas tornam-se borboletas. E uma fêmea infectada transmite o parasita quando ela põe seus ovos. Se a borboleta adulta deixa o estágio de pupa com uma grave infecção parasitária, ela perde fluidos e morre. Mesmo que as borboletas sobrevivam, eles não voam tão bem e nem vivem tanto quanto as não infectadas.

Os experimentos mostraram que as borboletas infectadas escolhem um tipo especial, muito tóxico de serralha. As borboletas não-infectadas não fazem isso.

Igualmente interessante é o fato de que a planta só terá efeitos benéficos para os filhotes, não sendo capaz de destruir o protozoário na própria borboleta-mãe.


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