Alergênios precisam de colaboradores para produzir alergia

Alergênios precisam de colaboradores para produzir alergia
Já confirmado no caso da alergia aos pêssegos, o mecanismo agora deverá ser estudado em outras alergias.
[Imagem: Luis Fernández Pacios/UPM]

Mecanismo das alergias

Compostos químicos transportados por proteínas alergênicas podem ser agentes colaboradores indispensáveis aos processos que levam às respostas imunológicas e desencadeiam os sintomas alérgicos.

A descoberta desse "agentes colaboradores" das reações imunes promete ajudar a desenvolver métodos preventivos e tratamentos mais eficazes para as alergias.

Acontece que há muitas questões fundamentais sobre a origem molecular e imunológica das alergias ainda não respondidas pela ciência. Por exemplo, inúmeros pesquisadores têm procurado soluções para um enigma antigo: Por que algumas proteínas causam alergias, apesar de serem muito parecidas com outras que são inofensivas?

Já se conseguiu identificar as proteínas que são alérgenos comuns no pólen, ácaros, animais domésticos, alimentos etc. Infelizmente, o que caracteriza essas proteínas ligadas aos alérgenos é algo que ainda não se sabe.

No entanto, nos últimos anos, uma hipótese vem ganhando crédito: determinados compostos transportados pelas proteínas alérgenas, conhecidos como ligantes, atuariam como agentes colaboradores necessários na fase de sensibilização alérgica. Ou seja, não bastaria a presença da proteína para disparar a alergia - seria necessária a presença do ligante certo.

Foi esta hipótese que uma equipe do Hospital Monte Sinai (Nova York - EUA), do Centro de Alergias da Suíça e da Universidade São Paulo de Madri (Espanha) decidiram estudar.

Para começar, ele escolheram a proteína Pru p 3, que é responsável pela alergia aos pêssegos, muito comum nos países mediterrâneos.

Colaborador indesejado

Os resultados confirmaram a hipótese, mostrando que os alergênicos precisam de um colaborador para que a alergia se manifeste.

O ligante da proteína é reconhecido por um receptor celular chamado CD1d, localizado na superfície celular onde aparecem os antígenos, isto é, as substâncias capazes de provocar uma resposta do sistema imunológico para produzir anticorpos.

As expressões CD1d são responsáveis pela apresentação de antígenos lipídicos que ativam células do sistema imunológico chamadas iNKT (sigla em inglês para "células T assassinas naturais invariantes"). Uma vez ativadas, essas células iNKT produzem uma enorme quantidade de substâncias que causam os sintomas característicos dos distúrbios alérgicos.

Uma vez que muitos alergênios transportam diversos compostos, a descoberta do ligante lipídico da Pru p3 como um adjuvante para promover a sensibilização alérgica através do seu reconhecimento por expressões CD1d abre novos horizontes de pesquisa.

A expectativa é que esta descoberta esteja revelando uma característica essencial geral do mecanismo subjacente ao fenômeno da alergenicidade. Isto deverá a seguir ser confirmado nos estudos de outras proteínas.


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