Quimioterapia desnecessária para 70% das pacientes com câncer de mama inicial

Quimioterapia é desnecessária em 70% das pacientes com câncer de mama inicial
O exame das biópsias usado neste estudo é diferente dos exames genéticos para câncer de mama que visam estabelecer riscos de se adquirir a doença no futuro.
[Imagem: Harvard Medical School/Getty]

Quimioterapia sem ganhos

Um exame genético promete reduzir drasticamente o número de mulheres que hoje se submetem à quimioterapia devido ao diagnóstico de um câncer de mama em estágio inicial.

"Com os resultados deste estudo inovador, podemos agora evitar com segurança a quimioterapia em cerca de 70% das pacientes que são diagnosticadas com a forma mais comum de câncer de mama. Para inúmeras mulheres e seus médicos, os dias de incerteza acabaram," disse a Dra Kathy Albain, participante do ensaio chamado TAILORx, cujo principal autor é o pesquisador Joseph Sparano, do Centro Médico Montefiore de Nova Iorque (EUA).

A ampla pesquisa internacional envolveu mais de 10.000 mulheres diagnosticadas com o tipo mais comum de câncer de mama (hormônio-receptor positivo, HER-2 negativo) que não se espalhou para os linfonodos.

A quimioterapia não apenas não mostrou ganhos em relação ao tratamento hormonal, como apresentou um ligeiro valor negativo: Após nove anos, o percentual de sobrevivência das pacientes foi de 93,9% sem quimioterapia, e de 93,8% com a quimioterapia.

Exame genético

A dispensa da quimioterapia foi decidida com base em um teste genético que avalia 21 genes nas biópsias dos tumores para determinar o quão ativos eles são.

Cada biópsia recebe um "escore de recorrência" de 0 a 100 - quanto maior a pontuação, maior a chance de que o câncer irá "recorrer", ou metastatizar, em órgãos distantes e diminuir a sobrevida.

Hoje, apenas as pacientes com escores mais baixos de possibilidade de recorrência se livram do tratamento quimioterápico, com todos os seus fortes efeitos adversos.

O dilema, contudo, é decidir o que fazer quando uma paciente apresenta uma pontuação intermediária, sendo incerto se o benefício da quimioterapia será grande o suficiente para justificar os riscos e a toxicidade adicionais.

Tipicamente, as pacientes recebem o tratamento mais agressivo "por via das dúvidas" se tiverem um escore superior a 10. Este novo estudo mostrou que é plenamente seguro dispensar a quimioterapia das pacientes que apresentam um escore de recorrência de até 25, o que cobre a grande maioria dos resultados.

Prognósticos por resultado e por idade

Para toda a população do estudo com escores de testes genéticos entre 11 e 25 - e especialmente entre mulheres de 50 a 75 anos - não houve diferença significativa entre os grupos com quimioterapia e sem quimioterapia. Entre as mulheres com menos de 50 anos, os resultados foram semelhantes quando os resultados dos testes genéticos deram 15 ou menos. Entre as mulheres mais jovens, com pontuações de 16 a 25 no exame genético, os resultados foram ligeiramente melhores no grupo de quimioterapia.

"O estudo deve ter um impacto enorme para os médicos e pacientes," disse Albain. "Os resultados vão expandir muito o número de pacientes que podem abrir mão da quimioterapia sem comprometer seus prognósticos. Estamos reduzindo a escala da terapia tóxica."


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