Planta medicinal chinesa poderá substituir coquetel contra a AIDS

Planta medicinal chinesa poderá substituir coquetel contra a AIDS
Astragalus glycyphyllus
[Imagem: Wikimedia Commons]

Medicina alternativa contra a AIDS

Da mesma forma que outros tipos de células, as células do sistema imunológico perdem a capacidade de se dividir à medida que envelhecem. Isto acontece porque uma parte dos seus cromossomos, conhecida como telômero, fica cada vez mais curto com contínuas divisões celulares. Como resultado, as células se alteram de muitas formas, e sua capacidade de lutar contra as doenças é comprometida.

Mas um novo estudo, feito no Instituto de AIDS da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu que um composto químicos encontrado na raiz Astragalus, freqüentemente utilizada na fitoterapia chinesa, pode evitar ou retardar esse encurtamento progressivos dos telômeros, o que pode transformá-la numa arma chave na luta contra o HIV.

Erva chinesa no lugar de anti-retroviral

"Esta raiz tem o potencial tanto para ser adicionada ou possivelmente até mesmo para substituir a terapia anti-retroviral, que não é bem tolerada por alguns pacientes e também é muito cara," explica Rita Effros, co-autora do estudo.

O estudo será publicado na edição de 15 de Novembro do Journal of Immunology.

Telômeros e telomerase

Um telômero é uma região no final de cada cromossomo que contém seqüencias repetidas de DNA, mas não tem genes. Eles protegem as extremidades dos cromossomos e evitam que eles se fundam. Cada vez que uma célula se divide, os telômeros tornam-se mais curtos, eventualmente fazendo a células atingirem uma estágio chamado senescência replicativa, quando ela não consegue mais se dividir.

Isto parece indicar que a célula tenha alcançado um estágio final, mas, de fato, a célula se transformou em outro tipo, como novas características genéticas e funcionais.

Geralmente os telômeros são longos o suficiente para se dividirem muitas vezes sem problemas. Além disso, quando estão combatendo infecções, as células-T podem ativar uma enzima chamada telomerase, que impede que os telômeros se encurtem.

Terapia genética

"O problema é que, quando nós estamos lidando com um vírus que não pode ser totalmente eliminado do corpo, como o HIV, as células-T que estão combatendo aquele vírus não conseguem manter suas telomerase ligadas para sempre," diz Effros. "Elas são desligadas, e os telômeros se encurtam e elas entram nesse estágio de senescência replicativa."

Pesquisas anteriores mostraram que a injeção do gene telomerase nas células-T pode evitar que os telômeros se encurtem, permitindo que eles mantenham sua capacidade de combate ao HIV por mais tempo. Essa abordagem de terapia genética, entretanto, não é uma forma prática de tratar os milhões de pessoas que vivem com o HIV.

Fitoterapia contra a AIDS

No presente estudo, em vez de usar a terapia genética, os pesquisadores usaram um composto químico chamado TAT2, que foi originalmente identificado nos plantas utilizados na medicina tradicional chinesa e que melhora a atividade da telomerase em outros tipos de células.

Eles testaram o TAT2 de diversas formas. Primeiro, eles expuseram as células-T CD8 de pessoas infectadas com HIV ao TAT2, e descobriram que o composto não apenas retarda o encurtamento dos telômeros, mas também melhora a produção de fatores solúveis da célula chamados quemoquinas e citoquinas, que outros estudos já comprovaram ter a capacidade para inibir a replicação do HIV.

Eles então pegaram amostras de sangue de indivíduos portadores do HIV e separaram as células-T CD8 e CD4 - estas infectadas com o HIV. Eles trataram as células-T CD8 com o TAT2 e combinaram-nas com as células-T CD4 em laboratório - e descobriram que as células CD8 tratadas inibiram a produção do HIV pelas células CD4.

Doenças crônicas e envelhecimento

"A capacidade para melhorar a atividade telomerase e as funções antivirais dos linfócitos-T CD8 sugere que esta estratégia poderá ser útil no tratamento do HIV, assim como a imunodeficiência e a maior suscetibilidade a outras infecções virais associadas com doenças crônicas ou com o envelhecimento," afirmam os pesquisadores em seu estudo.


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