Nervos danificados poderão ser reparados com músculos

Nervos danificados poderão ser reparados com músculos
Estudo mostra potencial do uso de músculos para reparar nervos lesados, evitando ter que danificar outros nervos em enxertos.
[Imagem: Ag.Fapesp]

Enxerto de nervos

No caso de trauma em que seja preciso substituir um nervo lesado de um paciente, os médicos costumam utilizar um enxerto de outro nervo para substituir o segmento perdido. Ou seja, para reparar um nervo lesado é necessário danificar outro, ainda que menos importante.

"Sempre que precisamos reparar um nervo tentamos encontrar um enxerto que possa ser removido sem causar sequelas importantes. Esperamos ainda que o nervo doador do enxerto tenha o mesmo diâmetro do nervo que queremos reparar e que tenha um comprimento adequado", disse Aristides Palhares, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), à Agência FAPESP.

Usando músculos para consertar nervos

Em artigo publicado na revista Acta Cirurgica Brasileira, Palhares e os colegas Fausto Viterbo e Ricardo Galesso Cardoso, descrevem a possibilidade de se utilizar segmentos de músculo no lugar de enxertos nervosos nas cirurgias de reparações.

Um dos motivos do estudo foi a existência de muitos músculos que poderiam servir como doadores de segmentos para enxertia e com diâmetro e comprimento que pudessem ser definidos pelo cirurgião.

"O que estamos tentando usar não é exatamente o músculo, mas um conjunto de túbulos constituídos pela membrana que envolve as células musculares, que deveriam funcionar como tubos por onde o nervo lesado cresce até chegar ao órgão efetor (local em que o nervo tem que passar o seu sinal ou de onde recebe os seus estímulos)", explicou Palhares.

Pontes nervosas

Atualmente há várias linhas de pesquisa que visam à reparação de nervos. O estudo feito na Unesp segue uma linha que busca criar "pontes" que permitam a restauração de segmentos nervosos perdidos. "Outros tipos de 'pontes' estão sendo estudados, como, por exemplo, os vasos sanguíneos. Nossa pesquisa tem por objetivo a aplicação em seres humanos, mas ainda estamos distantes disso", disse.

Nos testes feitos em animais, os ratos foram separados em sete grupos que receberam, como tratamento para uma lesão nervosa padronizada, respectivamente: enxertos com músculo fresco; fixado com formol; congelado em freezer; congelado em refrigerador; músculo denervado; nervo periférico; e um grupo ficou sem qualquer tratamento.

Segundo Palhares, nos testes se procurou avaliar os vários processos de preparo do músculo. "Queríamos ver se era possível reparar um nervo utilizando um segmento de músculo tratado de forma simples e barata. Por isso, utilizamos meios de estocagem que podem ser encontrados em qualquer hospital."

O uso do nervo periférico serviu como controle, já que esse é o método de escolha para as reparações nervosas. "Tentamos comparar os vários tipos de preparo muscular com ele, em uma tentativa de avaliar a eficiência de cada preparação", disse.

Resultados positivos

Os resultados apontaram que em todos os grupos de estudo houve a passagem de fibras nervosas através do enxerto. Isso demonstra que os músculos podem ser utilizados como "pontes" para a reparação nervosa, ou seja, o enxerto de músculo tratado pode ser usado na reconstrução de nervos. Mas, segundo o estudo, a metodologia utilizada não permitiu notar diferenças entre os grupos.

"Não realizamos testes funcionais ou eletromiográficos que pudessem dar informações sobre a funcionalidade da reparação", disse Palhares ao comentar as limitações do estudo.

"Acredito que, no futuro, refinaremos as técnicas de preparo do músculo e empregaremos testes que permitam avaliar a qualidade funcional das reparações, além de avaliarmos os efeitos da reparação nos músculos efetores após a reinervação", disse.


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