Melhorar a memória pode exigir novas estratégias

Melhorar a memória pode exigir novas estratégias
Talvez as memórias sejam mesmo para sempre, mas sempre temos dificuldades em recuperá-las: Um quê de surpresa pode ajudar a reforçar essas memórias.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Novidade e memória

Todos queremos melhorar nossa memória, mas talvez precisemos mudar nossas estratégias para alcançar esse objetivo.

Ocorre que a memória não é uma entidade única, e processos de memória separados, como a formação e a lembrança, devem ser aprimorados por diferentes estados do cérebro, explica a Dra. Katherine Duncan, da Universidade de Toronto (Canadá).

E os resultados dos experimentos da equipe da Dra. Duncan revelaram agora um novo mecanismo de disparo que desencadeia esses estados cerebrais associados com a memória: a novidade.

O papel da novidade - o ineditismo de uma experiência ou informação - foi demonstrado quando a equipe usava exames de ressonância magnética funcional (fMRI) para identificar como o cérebro desencadeia os diversos estados de memória. A detecção de uma novidade funciona como uma chave, mudando a forma como o cérebro aprende e se recorda.

"Nós descobrimos que a familiaridade aumenta a recuperação de outras memórias não relacionadas, mas reduz as chances da formação da memória. Por outro lado, a novidade aumenta a formação posterior de memórias distintas sem se preocupar com experiências anteriores," explicou a pesquisadora.

Surpreenda-se para lembrar melhor

À luz desse novo conhecimento, a professora Duncan sugere que, se quisermos melhorar nossa memória, precisamos repensar a maneira como tentamos guardar informações para nos lembrarmos depois.

"Sua capacidade de lembrar de algo não depende apenas da força da memória, depende do estado em que você está," destaca ela, referindo-se ao aspecto emocional de se deparar com uma novidade, em contraposição a ver novamente uma coisa que você já considera conhecida ou familiar.

Como não dá para disfarçar que você já conhece uma coisa, uma técnica útil seria adotar novos pontos de vista, tentando encarar o evento ou experiência sob novos aspectos, gerando uma sensação de novidade.

"Nós apenas arranhamos a superfície [do conhecimento sobre a memória], mas já estamos vendo conexões para distúrbios envolvendo deficiências de memória, como a doença de Alzheimer. Se definirmos a neuroquímica desses estados, poderemos desenvolver um dia novos testes de alerta precoce e, possivelmente, mais à frente, desenvolver novas estratégias de gestão [da memória]," concluiu Duncan.


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