Médicos nos EUA recebem milhões de farmacêuticas que fabricam opioides

Médicos nos EUA recebem milhões de farmacêuticas que fabricam opioides
Alguns opiáceos usados como drogas podem matar com uma inalação.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Pagamentos suspeitos

Enquanto as autoridades de saúde pública e uma parte significativa da comunidade médica combatem a epidemia de overdose de opioides, um levantamento mostra que os fabricantes de medicamentos pagaram mais de US$ 46 milhões a mais de 68 mil médicos ao longo de um período de 29 meses apenas nos EUA.

Scott Hadland e Brandon Marshall, da Universidade Brown (EUA), que se dizem "assombrados" com os resultados de seu levantamento, contam que os médicos estão recebendo dezenas de milhões de dólares por meio de honorários, programas de marketing e educação e mesmo por meio de "agrados" tão banais quanto refeições.

"A epidemia de opioides, que é responsável por milhares de mortes a cada ano, é uma tragédia nacional que devemos trabalhar em todos os níveis para combater.

"É nossa esperança que este estudo desencadeie uma conversa maior sobre o papel das empresas farmacêuticas na prescrição excessiva de medicamentos opioides e enseje uma investigação mais aprofundada sobre o que precisamos fazer para enfrentar esse problema," disse Marshall.

"Estarrecedor"

Os pesquisadores usaram dados dos centros serviços médicos do governo para rastrear os pagamentos recebidos pelos médicos. Graças a uma lei recente (Physician Payments Sunshine Act) as empresas farmacêuticas agora são obrigadas a relatar todas as "transferências de valor" - pagamentos - para médicos dos EUA.

Bastou então selecionar aquelas que fabricam medicamentos opiáceos e verificar os receituários feitos pelos médicos que receberam os pagamentos.

"O que descobrimos foi estarrecedor: entre agosto de 2013 e dezembro de 2015, mais de 375 mil pagamentos relacionados a opiáceos foram feitos para mais de 68 mil médicos nos EUA. Embora o pagamento médio aos médicos fosse de US$ 15, a parcela de 1% dos médicos no topo da lista relataram receber mais de US$ 2.600 por ano em pagamentos relacionados à promoção de produtos opiáceos.

"Embora a maioria dos desembolsos seja pequena - para atividades como refeições patrocinadas pela indústria - pesquisas anteriores sugerem que os pagamentos das empresas farmacêuticas resultam em uma maior prescrição de medicamentos comercializados, mesmo quando esses pagamentos são de baixo valor monetário.

"Desta forma, é possível que esses pagamentos - particularmente um número tão grande de pagamentos - tenham levado ao alto nível de prescrição de opiáceos que continuamos a ver hoje. No mínimo, provavelmente são contraproducentes em relação aos esforços nacionais para reduzir a prescrição excessiva de opiáceos," resumiu Marshall.

O levantamento foi publicado no American Journal of Public Health.


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