O passado e o futuro das experiências com animais

O passado

Se os dados do IBGE mostram que a expectativa de vida do brasileiro em 2010 está se aproximando dos 73 anos, eu não teria dúvidas em afirmar que um dos fatores fundamentais para chegarmos a esse ponto foi a utilização de animais em avanços fundamentais da ciência biomédica.

Na história da medicina, grandes descobertas foram realizadas e milhões de mortes evitadas graças à utilização dos animais em pesquisas e controles de qualidade.

Os transplantes cardíacos, renais e hepáticos, a descoberta de vacinas contra a pólio, o sarampo, a difteria, o tétano, a hepatite, a febre amarela, a gripe suína e a meningite são exemplos disso.

Importância das experiências com animais

A experimentação animal também foi essencial para o advento dos anestésicos, dos antibióticos, de fármacos para o controle da hipertensão arterial, da asma, dos anti-inflamatórios, dos quimioterápicos e dos hormônios anticoncepcionais.

Atualmente, os animais têm dado grande contribuição à pesquisa com células-tronco, grande esperança da humanidade, na doença de Alzheimer, no desenvolvimento de próteses neurais para pacientes com lesões na medula espinhal, na pesquisa de novos medicamentos e vacinas para Aids, câncer, diabetes, malária, dengue etc.

Animais domésticos, como cães e gatos, e os de interesse econômico, como bovinos, suínos e aves, também têm sido beneficiados com os avanços da ciência no campo da terapêutica e da cirurgia experimental. Poderíamos destacar as vacinas para a raiva, a cinomose, a febre aftosa, as pesquisas com o vírus da imunodeficiência felina, a tuberculose e várias doenças infectoparasitárias.

O futuro

Embora técnicas altamente sofisticadas e equipamentos com alta tecnologia sejam necessários para que algumas pesquisas sejam realizadas, em virtude da complexidade da célula biológica, o uso de animais de laboratório ainda é necessário para sua consecução.

Há, entretanto, grande expectativa na comunidade científica de que, no futuro, com a descoberta de novas metodologias e equipamentos, métodos alternativos sejam viáveis e os animais deixem de ser utilizados na atividade científica.

Atualmente, porém, somente em alguns poucos casos a biologia celular e molecular, por meio de técnicas de cultura de tecidos, e simulações computacionais oferecem essa possibilidade.

Lei Arouca

No Brasil, um grande marco para a pesquisa científica na área da saúde ocorreu com a aprovação da Lei nº 11.794, de outubro de 2008, conhecida como Lei Arouca, que regulamentou a criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica no país.

A nova lei criou o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) e obrigou as instituições a constituírem uma Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceuas).

O Concea, que deverá credenciar instituições, formular e zelar pelo cumprimento das normas relativas à utilização humanitária de animais, monitorar e avaliar a introdução de técnicas alternativas que substituam a utilização de animais em ensino e pesquisa, entre outras competências, é bastante representativo da sociedade, sendo composto por representantes da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, da Sociedade Brasileira de Ciência de Animais de Laboratório, do Conselho de Reitores das Universidades brasileiras, do CNPq, dos ministérios da Ciência e Tecnologia, da Saúde, da Educação, da Agricultura e do Meio Ambiente, do complexo industrial e de representantes de Sociedades Protetoras de Animais legalmente estabelecidas no país.

Discussão

Para subsidiar a importante discussão deste artigo do professor Renato Sérgio, o Diário da Saúde acrescenta links para as reportagens anteriores que já cobriram o mesmo assunto:


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