Chikungunya terá nova epidemia nos próximos dois anos, alertam pesquisadores

"Não dá pra evitar"

Um importante surto de chikungunya poderá ocorrer no Brasil ao longo dos próximos dois anos, com as áreas mais afetadas sendo o Nordeste e a faixa litorânea na região Sudeste.

A previsão foi revelada por Maurício Lacerda Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, com base em estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pelo Instituto Butantan.

Os estudos mostram que o máximo da ocorrência da chikungunya ainda está por ocorrer.

Essa doença é grave não apenas pelo episódio agudo em si, mas também pelo fato de poder deixar como sequela uma artrite crônica, que eventualmente incapacita a pessoa a exercer sua atividade profissional.

Nogueira, professor na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), ressaltou que o zika e a chikungunya não entraram no país trazidos pelos próprios mosquitos, mas por humanos.

"Hoje, vivemos uma situação em que todos os lugares do mundo se tornaram muito próximos. Saímos de São Paulo e, em menos de 24 horas, podemos estar no leste da Ásia. Milhões de pessoas estão indo e vindo a todo momento. E, eventualmente, algumas delas chegam doentes. No caso, chegaram trazendo vírus que encontram uma situação extraordinária para se propagar: uma população totalmente naive ["ingênua"] e um país infestado de mosquitos. Então, vivemos com o zika a 'tempestade perfeita'. E vamos viver ainda a 'tempestade perfeita' de chikungunya. Podemos mitigar, mas não há nada que possamos fazer para evitar," disse Maurício.

O pesquisador lembrou que é impossível diferenciar clinicamente a dengue, o zika e a chikungunya, pois os sintomas são muito parecidos:

"São, todas elas, doenças febris agudas, parecidas com a gripe. As pessoas apresentam exantemas [vermelhidão na pele], cefaleia [dor de cabeça], mialgia [dor muscular]. Só o diagnóstico molecular permite diferenciar um caso do outro. Mas esse exame é caro. Então, temos que tratar todos os pacientes como se fosse dengue, porque dengue mata, e mata rápido - não é o caso do zika e da chikungunya," ressaltou o pesquisador.

Pico epidêmico

No pico epidêmico de 2015 a 2017, a dengue foi a enfermidade que apresentou maior prevalência, com 2 milhões e 800 mil casos prováveis - 64% dos casos notificados em todo o continente americano. Seguiram-se a chikungunya (cerca de 292 mil casos) e a zika, com (cerca de 204 mil casos).

A febre amarela, que já havia sido considerada uma doença extinta, voltou a incidir, engendrando mais de 3.190 casos, notificados entre dezembro de 2016 e maio de 2017. No conjunto do país, a região Sudeste foi a mais atingida, com destaque para o Estado de São Paulo.


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