19/07/2017

Vírus oropouche é nova ameaça de saúde pública no Brasil

Com informações da Agência Fapesp

Novo vírus

Depois da epidemia de zika, iniciada em 2015, e do surto de febre amarela, no começo deste ano, o Brasil corre o sério risco de ser afligido por outro vírus de ampla distribuição nas Américas do Sul e Central e no Caribe, que se adaptou ao meio urbano e tem chegado cada vez mais próximo das grandes cidades brasileiras.

É o oropouche - um arbovírus (vírus transmitido por um mosquito, como o zika e o da febre amarela), que causa febre aguda e, eventualmente, meningite e inflamação do encéfalo e das meninges (meningocefalite).

O alerta foi feito por Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto durante palestra sobre vírus emergentes na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que está se realizando em Belo Horizonte.

"O oropouche é um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento e causar um sério problema de saúde pública no Brasil," disse Luiz Tadeu.

Febre do oropouche

Já houve mais de 500 mil casos relatados no país nas últimas décadas de febre do oropouche - como é conhecida a doença causada pelo vírus.

Esse número, contudo, tende a subir, uma vez que o vírus, transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis - conhecido popularmente como maruim ou borrachudo -, antes restrito aos pequenos vilarejos da Amazônia, tem-se alastrado e chegado às grandes cidades do país.

"O oropouche é um vírus que tem um grande potencial de emergência, porque o Culicoides paraensis está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil," apontou Luiz Tadeu.

Vírus oropouche é nova ameaça de saúde pública no Brasil
Distribuição do vírus oropouche pela América do Sul.
[Imagem: Helena Baldez Vasconcelos et al. - 10.3201/eid1705.101333]

No Brasil, o vírus já foi isolado em aves no Rio Grande do Sul, em um macaco sagui em Minas Gerais e foi detectada a presença de anticorpos neutralizantes (que se ligam ao vírus e sinalizam ao sistema imune que destrua aquele corpo estranho e o impeçam de completar a infecção com sucesso) em primatas em Goiânia. O número de casos de febre oropouche também tem-se tornado mais frequente em áreas urbanas do Peru e de países do Caribe.

Infecção neural

Outro problema para que o vírus venha passando despercebido é que um número significativo de casos de febre do oropouche parece estar sendo confundida com dengue. Dos 128 pacientes infectados com oropouche em Manaus que foram estudados pela equipe de Luiz Tadeu, todos tinham o diagnóstico clínico de dengue, uma vez que os sintomas da doença são parecidos com os da febre oropouche.

Os pacientes apresentam os sintomas típicos da infecção, como febre aguda, dores articulares, de cabeça e atrás dos olhos. Contudo, alguns pacientes do oropouche desenvolvem infecção no sistema nervoso central. "O vírus foi encontrado no líquor cefalorraquidiano desses pacientes," disse Luiz Tadeu.

A equipe suspeita que esses casos mais graves podem estar associados com uma baixa imunidade dos pacientes.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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