06/09/2017

Pessoas que ouvem vozes têm capacidade inusitada de filtrar sons

Redação do Diário da Saúde
Pessoas que ouvem vozes têm capacidade inusitada de filtrar sons
O objetivo do estudo é encontrar maneiras mais eficazes de ajudar as pessoas que acham essas vozes perturbadoras.[Imagem: University of Durham]

Ouvir vozes

Pessoas que ouvem vozes que outras pessoas não conseguem ouvir, tipicamente conhecidas como "médiuns", parecem ser capazes de usar habilidades incomuns quando seus cérebros processam novos sons.

Um grupo de especialistas das universidades Durham e College de Londres (Reino Unido) descobriu que as pessoas que ouvem vozes também conseguem detectar falas disfarçadas como se fossem ruídos no meio de outros sons, e fazem isso de forma muito mais rápida e fácil do que pessoas que nunca tiveram uma experiência de para-audição.

O estudo envolveu pessoas que regularmente ouvem vozes, também conhecidas como alucinações verbais auditivas, mas não têm problemas de saúde mental.

As pessoas "comuns" - que não ouvem vozes de origem desconhecida - também conseguem identificar os padrões, mas apenas depois de serem instruídas e de lhes ser dado mais tempo. Os pesquisadores afirmam que isso indica que os médiuns têm uma capacidade mais aguçada para detectar padrões significativos de fala em sons ambíguos.

A equipe afirma que essa visão dos mecanismos cerebrais dos ouvintes de voz dá novas informações sobre como esse fenômeno ocorre nas pessoas sem problemas de saúde mental e, em última instância, poderá ajudar a encontrar maneiras mais eficazes de ajudar as pessoas que acham essas vozes perturbadoras.

Talento para filtrar sons

Os participantes foram colocados para ouvir um conjunto de sons com falas disfarçadas, conhecidos como "fala de onda senoidal", enquanto passavam por um exame cerebral de ressonância magnética. Normalmente esses sons só podem ser entendidos quando as pessoas são alertadas sobre a fala disfarçada no meio do som ou foram treinadas para decodificar os sons disfarçados.

A voz de onda senoidal se parece com o chilrear de pássaros. No entanto, após algum treinamento, é possível "filtrar" o ruído para entender as frases simples escondidas - frases como "O palhaço tem uma cara engraçada".

No experimento, a maioria dos ouvintes de vozes reconheceu o discurso oculto antes de serem informados de sua existência e, em média, tenderam a perceber isso antes do que outros participantes que não tinham histórico de ouvir vozes.

Os cérebros dos médiuns responderam automaticamente aos sons ocultos, em comparação com os outros e com eles mesmos quando ouviam sons que não tinham frases escondidas. A ativação foi detectada nas regiões do cérebro associadas com a atenção e as habilidades de monitoramento.

O estudo, de pequena escala, envolveu 12 ouvintes de vozes e 17 não ouvintes de vozes. Nove dos 12 (75%) ouvintes detectaram imediatamente as frases disfarçadas, em comparação com oito dos 17 (47%) não ouvintes de vozes.

"Essas descobertas são uma demonstração do que podemos aprender com as pessoas que ouvem vozes que não são angustiantes ou problemáticas. Isso sugere que os cérebros das pessoas que ouvem vozes estão particularmente atentos ao significado nos sons e mostra como experiências incomuns podem ser influenciadas por processos perceptivos e cognitivos individuais das pessoas," disse o Dr. Ben Alderson-Day, coordenador do estudo.

Os resultados foram publicados na revista científica Brain.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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