10/10/2017

Drogas psicodélicas afetam minicérebros e mostram potencial terapêutico

Redação do Diário da Saúde
Drogas psicodélicas afetam minicérebros e mostram potencial terapêutico
O experimento com os minicérebros mostrou o potencial terapêuticos das drogas psicodélicas. [Imagem: Vanja Dakic et al. - 10.1038/s41598-017-12779-5]

Droga em minicérebro

Com os minicérebros - arremedos de órgãos criados em laboratório - ocupando um lugar cada vez mais importante nas pesquisas científicas, uma equipe brasileira teve uma ideia inusitada.

Se esses pequenos órgãos sintéticos são mesmos representativos do cérebro real, o que aconteceria lhes déssemos substâncias que costumam interferir fortemente com o funcionamento do cérebro humano - mais especificamente, substâncias psicotrópicas?

"Pela primeira vez foi possível descrever alterações nas proteínas do tecido cerebral humano exposto a uma substância psicodélica," contou Stevens Rehen, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

E não se tratou de uma brincadeira de cientista.

Estudos recentes têm demonstrado que substâncias como LSD (dietilamida do ácido lisérgico), MDMA (metilenodioximetanfetamina), além da bebida ayahuasca, que contém DMT (dimetiltriptamina), apresentam potencial terapêutico.

Em particular, compostos da família da DMT estão relacionados à redução da resposta inflamatória e efeitos antidepressivos, conforme revelado por pesquisas científicas em animais e em humanos.

Drogas psicodélicas afetam minicérebros e mostram potencial terapêutico
Flores do cipó usado na preparação do chá conhecido como Santo Daime, ou ayahuasca, uma das bebidas psicodélicas mais pesquisadas por seus potenciais efeitos terapêuticos.
[Imagem: Vojtech Zavadil/Wikimedia]

Drogas promissoras

Para desvendar os efeitos de uma substância da classe DMT, chamada 5-MeO-DMT, sobre as proteínas do cérebro, as pesquisadoras Vanja Dakic e Juliana Minardi Nascimento expuseram minicérebros humanos a uma única dose do psicodélico - os minicérebros são organoides cerebrais criados a partir de células-tronco reprogramadas.

Elas identificaram que quase mil proteínas cerebrais ficaram alteradas após exposição à substância psicodélica. Proteínas importantes para a formação e manutenção de sinapses estão entre as mais afetadas, dentre elas algumas envolvidas em fenômenos de aprendizado e memória, essenciais para o funcionamento do cérebro.

Por outro lado, proteínas envolvidas com inflamação, degeneração e lesão cerebral apareceram em quantidades reduzidas, indicando um potencial de neuroproteção do 5-MeO-DMT, um potencial que deverá ser estudado.

"Os resultados sugerem que psicodélicos clássicos são poderosos ativadores da plasticidade neural, uma ferramenta de transformação psicobiológica que apenas começamos a entender," comentou Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

"Nossos resultados ratificam o potencial clínico de substâncias banidas por questões políticas e que merecem total atenção da comunidade médica e científica," finalizou Stevens Rehen.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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