Tratamento de HIV previne transmissão entre casais

Brasil no meio

Quando indivíduos HIV positivos aderem a um esquema eficaz de terapia antirretroviral, o risco da transmissão do vírus ao parceiro sexual sem infecção pode ser reduzido em até 96%.

A conclusão é de um ensaio clínico pioneiro conduzido pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIAID/NIH).

O estudo, que contou com a participação de 1.763 casais sorodiscordantes (97% heterossexuais), foi realizado em 13 centros de saúde que fazem parte da Rede de Testes para Prevenção de HIV (HTPN) do NIH, localizados em países como Botsuana, Brasil, Índia, Quênia, Malásia, África do Sul, Tailândia, Estados Unidos, Zimbábue.

No Brasil, o Instituto de Pesquisas Clínicas Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), incluído na HTPN desde 2001, coordenou a participação de mais dois centros, o Hospital Geral de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, e o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.

Bom demais

Conhecido como estudo HPTN 052, o ensaio clínico começou em abril de 2005 e tinha previsão de término para 2015.

No entanto, a pesquisa apontou uma redução de transmissão sexual do HIV entre os casais sorodiscordantes tão significativa que os resultados puderam ser liberados antes do previsto.

"Essa pesquisa possui uma importância enorme para o mundo e muda os paradigmas fundamentais da prevenção de HIV entre casais", destaca a pesquisadora Beatriz Grinsztejn, uma das coordenadoras do estudo no Ipec.

"No Brasil, os resultados apontam para a necessidade de um diagnóstico cada vez mais precoce da doença, já que esse costuma ser tardio, a fim de diminuir a transmissão sexual entre os casais, responsável pela maior parte das novas infecções," completa.

Revolução da prevenção

Segundo Beatriz, cerca de 250 casais brasileiros participaram da pesquisa.

"Esta descoberta trará grandes mudanças e impulsionará a revolução da prevenção. Os medicamentos para HIV passaram a ser uma nova e prioritária opção de prevenção," destaca Michel Sidibé, diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids da (Unaids).

"Agora precisamos garantir que os casais tenham a opção de poder escolher a Prevenção com Tratamento e que possam acessá-la. Pessoas vivendo com HIV/VIH podem, agora, com dignidade e confiança, tomar medidas adicionais para proteger seus entes queridos contra o HIV".

De acordo com a Unaids, estima-se que, atualmente, apenas a metade das 33 milhões de pessoas que vivem com HIV sabe que tem o vírus.

Um aumento na testagem teria um impacto significativo na resposta à transmissão, sobretudo se mais pessoas tiverem acesso ao tratamento em vista dos novos resultados.

Revisão das normas

O estudo também visava determinar qual o melhor período para se iniciar o tratamento com antirretrovirais em indivíduos infectados pela doença, com a intenção de reduzir os efeitos da enfermidade e diminuir as mortes.

Para isso, apenas pessoas HIV positivas com contagem de células CD4 entre 350 e 550 milímetros cúbicos foram recrutadas para o ensaio clínico - a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o tratamento seja adiado em pessoas com menos de 350 células por milímetro cúbico.

Os resultados indicam, portanto, a necessidade da revisão das normas de adiamento do tratamento correntemente adotadas, já que o uso de antirretrovirais até mesmo antes desse estágio pode reduzir as possibilidades de transmissão do vírus por vias sexuais.


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