Testes e ressonância magnética revelam efeitos do Transtorno de Ansiedade Social

Auto-avaliação negativa

Pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP mostra que uma auto-avaliação negativa sobre a realização ou não de uma tarefa pode determinar prejuízos nos relacionamentos sociais, levando a um Transtorno de Ansiedade Social (TAS) e doenças relacionadas, causadas pela depressão.

O estudo da médica Maria Cecília de Freitas Ferrari também revela que quanto maior o volume da amígdala, estrutura cerebral responsável pela mediação das emoções, maiores são os sintomas da ansiedade social.

Transtorno de Ansiedade Social

O Transtorno de Ansiedade Social (TAS) é caracterizado pelo medo de ser ridicularizado ou humilhado quando confrontado com situações sociais, como falar em público, por exemplo. "É comum confundir ansiedade social com timidez", conta a pesquisadora. "Estudos já revelaram que o número de ansiosos sociais varia entre 5% e 13% da população mundial".

Maria Cecília fez testes cognitivos e fisiológicos em 67 estudantes universitários com 18 a 30 anos, de ambos os sexos, divididos em três grupos: o primeiro com diagnóstico de TAS, o segundo com sintomas do Transtorno, mas sem prejuízos (diagnóstico sub-clínico), e o terceiro de pessoas saudáveis.

Medo de falar em público

Os participantes foram submetidos a um teste de simulação de falar em público, diante de uma câmera de vídeo, que serviu para a realização de medidas cognitivas. Foram adotadas três escalas. A Visual Analogue Mood Scale (VAMS) avalia estados de ansiedade, por meio de 16 pares de adjetivos com sentidos opostos.

A Self Statement of Public Speaking (SSPS-S) faz a avaliação da ansiedade envolvida na situação de falar em público. Por fim, foi aplicada a Bodily Symptoms Scale (BSS), que mede os sintomas somáticos, como sensação de calor, presença de sudorese e vontade de ir ao banheiro.

Auto-avaliação

Ao iniciar os testes e revelar a tarefa aos participantes, a pesquisadora diz que tanto aqueles com diagnóstico de TAS como os com diagnóstico sub-clínico apresentaram o mesmo nível de ansiedade e maior prejuízo cognitivo que o grupo-controle.

A diferença apareceu na escala que mediu a SSPS-N, a auto-avaliação negativa na ansiedade envolvida na situação de falar em público. "As pessoas com diagnóstico sub-clínico foram muito melhores que aquelas que apresentaram diagnóstico de TAS, os chamados fóbicos sociais", revela Maria Cecília.

Ansiedade social

Segundo a médica, o fóbico se vê muito pior que o sub-clínico e isso pode ser determinante para ele desenvolver uma patologia. "Se a auto-avaliação negativa for trabalhada será possível proteger esse individuo de uma ansiedade social", ressalta.

Nos testes fisiológicos foram avaliadas a pressão arterial e a condutância da pele, ou seja, o computador capta a presença de sudorese na pessoa. Todos os testes foram aplicados antes, durante e após a simulação de falar em público. Após as avaliações, os voluntários foram submetidos à ressonância magnética, para verificar que estruturas cerebrais estavam envolvidas nos processos de ansiedade.

Amígdala

De acordo com a pesquisadora, a amígdala é muito estudada em transtornos de ansiedade porque tem maior atividade no ansioso. "Se ela está hiperativa, a pessoa não planeja bem suas ações", explica. Nessa fase, constatou-se que quanto maior o volume da amígdala maior o sintoma de ansiedade. Na correlação entre os três grupos testados, na escala SSPS-N, auto-avaliação negativa e o córtex cingulado (estrutura cerebral envolvida no planejamento e execução das ações), verificou-se alterações apenas nos fóbicos e não-fóbicos.

A pesquisa

A pesquisa Correlatos de morfometria cerebral de imagens de RM com medidas cognitivas e fisiológicas do teste de simulação de falar em público no espectro de ansiedade social foi realizada por Maria Cecília no programa de pós-graduação em Saúde Mental da FMRP.

O estudo foi premiado como segundo melhor trabalho apresentado no 16º Congresso Europeu de Psiquiatria, realizado em Nice (França), em abril. Participaram também da pesquisa Antônio Waldo Zuardi, Geraldo Busatto, Fábio Duran, Thiago Borduqui, Antônio Carlos Santos, Davi Araújo, Alaor Santos Filho, Cristina Marta Del-Ben, R. Martín-Santos, Frederico Guilherme Graeff e Francisco Guimarães.


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