Realidade virtual vira ferramenta para reabilitação física

Realidade virtual vira ferramenta para reabilitação física
Realidade Virtual torna mais divertida e eficaz a recuperação de pacientes com limitações motoras.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Tecnologia levada a sério

Tecnologias originalmente voltadas ao entretenimento - como jogos eletrônicos - os sensores de reconhecimento de gestos e os óculos de realidade virtual (RV) estão ajudando a tornar as sessões de reabilitação e fisioterapia mais divertidas e mais eficazes, auxiliando pacientes com limitações motoras a recuperar sua autonomia, ao menos parcialmente.

Essa adaptação está sendo feita por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e do Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia (Brainn).

A proposta é tornar a tecnologia mais acessível, de modo a beneficiar pacientes que necessitam de tratamentos de reabilitação física de média e longa duração, como é o caso de quem sofre acidente vascular cerebral (AVC).

"Estão em fase de desenvolvimento dois aplicativos de RV [realidade virtual] para celulares: o e-Street, que permite ao usuário explorar virtualmente um ambiente urbano e situações como atravessar ruas; e o e-House, que por enquanto possibilita caminhar pela área externa de uma casa para treinar prevenção de quedas durante a simulação de subida e descida de escadas.

"Em breve também será possível acessar cômodos internos e simular atividades de vida diária, como abrir uma gaveta ou armário. Além do desenvolvimento constante da interface dos aplicativos, estamos investigando qual a melhor forma para interagir com alguns objetos dentro do ambiente virtual", contou o pesquisador Alexandre Brandão, idealizador do projeto.

Além dos aplicativos para celular, a equipe também está desenvolvendo equipamentos para otimizar o funcionamento dos programas. Para caminhar pela e-Street, por exemplo, dois sensores de ultrassom são posicionados na região do tornozelo do usuário. Esses sensores funcionam como um sonar capaz de registrar qualquer movimento que simule uma caminhada, enviando o registro para uma pequena placa controladora fixada na cintura do usuário, que por sua vez se comunica via Bluetooth com o celular posto dentro dos óculos de realidade virtual.

Reabilitação real

De acordo com o pesquisador, os programas convencionais de RV para celulares apenas levam o usuário por um roteiro virtual predefinido. Ou seja, é possível direcionar o olhar para onde se deseja navegar, mas não há um controle efetivo sobre o ambiente virtual. Já os programas desenvolvidos para aplicação em saúde possibilitam ao usuário avançar dentro do ambiente virtual à medida que ele movimenta as pernas para simular passos, mesmo que sem sair do lugar.

Os primeiros testes com pacientes que sofreram AVC começaram em março. Embora esse seja o principal e mais desafiador público do projeto, o pesquisador acredita que a tecnologia também poderá beneficiar idosos que sofrem de desorientação espacial (comum em muitos tipos de transtornos cognitivos), ajudar na prevenção de quedas e, possivelmente, na inibição da dor ocasionada por atividade motora.

"Muitas quedas acontecem quando o idoso precisa dividir sua atenção entre uma tarefa motora, como subir escada ou desviar de um objeto na rua, e uma tarefa cognitiva, como olhar para a vitrine de uma loja ou lembrar do trajeto até sua residência. Com esses softwares, será possível treinar a atenção associada ao estímulo motor e antecipar situações que poderiam por em risco a integridade física", explicou.

Além disso, portadores de fibromialgia e pessoas de todas as idades que apresentam limitações motoras - seja em decorrência de fraturas, cirurgias, lesão medular ou qualquer outro tipo de trauma - podem se beneficiar com sessões de fisioterapia e terapia ocupacional (que costumam envolver tarefas repetitivas) mais lúdicas e estimulantes.


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