Reações graves à vacina da febre amarela serão estudadas

Doença viscerotrópica

Os efeitos adversos graves da vacina contra a febre amarela estão preocupando as autoridades médicas e de pesquisa dentro e fora do Brasil.

Para tentar identificar as causas, pesquisadores da Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Rockefeller, dos Estados Unidos, iniciaram uma parceria para estudar fatores individuais que possam tornar algumas pessoas suscetíveis ao problema.

Uma das hipóteses que será estudada é se a reação grave à vacina pode ter origem genética.

O protocolo de intenções entre as instituições já foi assinado, e agora aguarda a liberação dos recursos por parte do governo federal.

Hipótese genética

Entre os possíveis efeitos adversos da vacina contra febre amarela - que incluem a febre amarela vacinal -, o mais grave é a doença viscerotrópica, que pode causar choque, derrame pleural e abdominal, e falência múltipla dos órgãos.

"Essas reações acometem muitas vezes pessoas absolutamente saudáveis. Resta estudar algum fator individual que faz com que certas pessoas sejam sujeitas a esses eventos adversos. Imaginamos que esse fator individual deve ser de natureza genética," disse o pesquisador Reinaldo de Menezes Martins, da Bio-Manguinhos.

Caso seja confirmada a relação dos efeitos adversos da vacina a fatores genéticos, poderá ser possível desenvolver um kit diagnóstico para evitar que pessoas com a predisposição a reações à vacina sejam submetidas ao medicamento - mas este desenvolvimento pode levar vários anos.

Vacina sem vírus

Em outra linha de pesquisas, já há um estudo em andamento na Bio-Manguinhos para desenvolver uma técnica de fabricação de uma vacina contra a febre amarela sem vírus vivo, o que poderia reduzir a possibilidade de efeitos adversos, mas o projeto ainda não tem perspectiva de conclusão, de acordo com o pesquisador.

"Os estudos são promissores, mas os testes estão sendo feitos ainda em animais e não temos perspectivas de tê-la pronta nos próximos anos," disse Reinaldo.

De acordo com o pesquisador, pelas estatísticas atuais, os efeitos adversos mais graves ocorrem em uma a cada 300 mil pessoas vacinadas e a média é de uma morte a cada 10 a 20 casos em que há reação à vacina. Ainda não foram encontrados mutações no vírus da vacina ou problemas ligados à produção que pudessem explicar esses eventos adversos.


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