Especialistas posicionam-se contra estudo do vírus zika em humanos

O dilema ético de estudar o vírus zika em humanos
Pesquisadores alertaram que as pesquisas com embriões humanos atingiram o limite ético. Enquanto isso, novas regras prometem transparência aos testes de medicamentos.
[Imagem: Alessia Deglincerti/Gist Croft/Ali H. Brivanlou]

Infectar voluntários com zika

Em 2016, os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) receberam a incumbência de financiar os chamados "testes de desafio humano" envolvendo o vírus zika, nos quais voluntários saudáveis seriam propositadamente infectados com o vírus para que se pudesse pesquisar a prevenção e o tratamento de futuras epidemias.

Antes de prosseguir com os ensaios, porém, a entidade convocou um painel de especialistas para que opinassem sobre as questões éticas envolvidas nesses testes.

Agora, o painel - tecnicamente um Fórum de Políticas - se manifestou contrariamente à realização desses testes de desafio e delinearam soluções para futuros dilemas.

Em primeiro lugar, os voluntários, uma vez infectados com o zika, poderiam espalhar o vírus para "espectadores", pessoas não participantes do teste mas que podem ser envolvidas - por exemplo, familiares, conhecidos, parceiros sexuais etc. E esses "espectadores" não consentiram em ser infectados, ressaltam Seema Kirti Shah (Universidade de Washington) e seus colegas membros do painel.

O grupo destaca que os comitês de ética na pesquisa científica atuais não são adequados para considerar os interesses desses terceiros envolvidos. Além disso, observam os autores, não existe um consenso e uma estrutura para determinar se os riscos dos espectadores são eticamente e legalmente justificáveis.

Em segundo lugar, os especialistas enfatizam que os riscos líquidos de infectar voluntários devem ser justificados por benefícios potenciais para a sociedade - benefícios que parecem cada vez menores à medida que a epidemia arrefeceu e futuros surtos são incertos.

Além disso, testes planejados e realizados no calor de uma epidemia podem ser desarticulados, sem coordenação de recursos, tais como critérios de inclusão e estabelecimento de pontos finais para os ensaios.

Em decorrência desses problemas, os autores propõem que as agências de saúde criem bases de dados de revisores qualificados para atuar como membros em "Comitês Amplos de Revisão Ética" para lidar com situações únicas, como os testes de desafio humano com o vírus zika.

Esses comitês precisariam receber poderes para reunir evidências sobre as trajetórias das pesquisa ativas ou planejadas para candidatos a vacinas, por exemplo, e julgar se os resultados dos desafios propostos têm probabilidade de serem aproveitados de maneira útil para a sociedade.


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