Butantan desenvolve nova vacina contra tuberculose

Nova vacina contra tuberculose apresenta resultados promissores
Tecido pulmonar de camundongos não imunizados (1º quadro), vacinados com BCG convencional (2º quadro) e com a vacina recombinante (3º e 4º quadros).
[Imagem: Ivan P. Nascimento et al. - 10.1038/s41598-017-02003-9]

Vacina contra a tuberculose

Uma nova vacina contra a tuberculose - mais potente do que a atualmente usada na imunização de crianças - está sendo desenvolvida no Instituto Butantan, em São Paulo.

Os resultados promissores dos ensaios pré-clínicos, feitos com camundongos, foram publicados na revista Nature Scientific Reports.

"A vacina BCG tradicional é eficaz para proteger crianças das formas mais graves da doença, mas oferece proteção limitada contra infecções pulmonares em adultos. Portanto, desenvolver um novo imunizante mais potente tem sido um desafio da comunidade científica internacional. Diversas estratégias estão sendo testadas", comentou Luciana Leite, diretora do Laboratório Especial de Vacina do Butantan e coordenadora do projeto.

Recombinante

A estratégia adotada foi desenvolver uma versão recombinante da BCG, ou seja, modificar a bactéria usada na formulação da vacina convencional - a Mycobacterium bovis - para fazê-la produzir uma proteína típica de outra bactéria, a Escherichia coli.

"Essa proteína recombinante, que chamamos de LTAK63, tem um efeito adjuvante na formulação, isto é, faz com que a resposta do sistema imune à vacina seja muito mais forte", contou Leite.

Nos experimentos com camundongos, a proteção oferecida pela BCG convencional foi comparada com a proteção pela BCG recombinante. O grupo controle foi composto por animais não imunizados.

Nos animais não imunizados, a análise histológica revelou uma grande infiltração de células inflamatórias no pulmão e a quantidade de bactérias no tecido chegou a 1 milhão. No grupo que recebeu a BCG convencional, o número de microrganismos encontrado foi em torno de 100 mil e o grau de inflamação bem mais moderado, porém maior do que o observado no grupo que recebeu a versão recombinante da vacina. Nesse terceiro grupo, foram encontradas no pulmão apenas cerca de 1 mil bactérias.

"Fizemos, em seguida, um segundo experimento no qual desafiamos os animais com uma quantidade até 100 vezes maior de Mycobacterium tuberculosis e observamos que apenas a versão recombinante da BCG ofereceu proteção nesse caso. No grupo que recebeu a vacina convencional os animais começaram a morrer depois de alguns dias", contou Leite.

A estimativa é que a nova vacina contra a tuberculose possa estar disponível em até 10 anos.


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