Nanocápsulas removem pior parte do colesterol

Nanocápsulas removem pior parte do colesterol
As nanopartículas diminuem em 74% a formação de lesão aterosclerótica, e em 88% a liberação de moléculas inflamatórias.
[Imagem: Fapesp/Divulgação]

LDL-

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram nanopartículas capazes de remover da circulação sanguínea as partículas mais nocivas do "colesterol ruim" - a lipoproteína de baixa densidade eletronegativa (LDL-).

"Nossa proposta é criar um sistema para remover essa LDL- da circulação, de modo a impedir que essas partículas interajam com a parede das artérias e induzam uma resposta pró-inflamatória que contribua para o início e a progressão da lesão aterosclerótica", contou Dulcineia Saes Abdalla, coordenadora da equipe.

Para isso, a equipe desenvolveu anticorpos capazes de identificar e se ligar somente às partículas LDL-.

A nanoformulação atua em duas frentes: retira da circulação o estímulo pró-inflamatório e minimiza o acúmulo de lípides no vaso sanguíneo, diminuindo, portanto, tanto o tamanho da lesão quanto a atividade inflamatória na placa.

Atualmente, o grupo está fazendo testes com camundongos com o intuito de verificar quanto tempo a nanoformulação permanece no organismo antes de ser metabolizada e para onde ela direciona as partículas LDL-.

Colesterol negativo

De acordo com a pesquisadora, embora toda a fração das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) tenha a fama de "colesterol ruim", a subfração eletronegativa (LDL-) - que inclui partículas modificadas por processos químicos, como oxidação e lipólise - pode ser considerada a mais aterogênica e, portanto, a principal ameaça à saúde cardiovascular.

Ao ser reconhecida e internalizada por macrófagos, um tipo de célula do sistema imunológico, a LDL- desencadeia uma resposta inflamatória que aumenta a instabilidade da placa aterosclerótica, contribuindo para a ruptura do ateroma na parede da artéria. Esse processo pode culminar em um evento cardiovascular, como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

"Ao internalizar esses lipídeos modificados, os macrófagos se transformam no que chamamos de células espumosas. O acúmulo dessas células espumosas representa o início da lesão aterosclerótica. Quando esses macrófagos morrem, liberam todo o seu conteúdo de lípides e outros fragmentos celulares formando uma região necrótica na parede da artéria. Isso atrai ainda mais macrófagos para o local, bem como linfócitos e outros tipos de células de defesa, que passam a liberar mais moléculas inflamatórias, agravando o quadro", explicou Dulcineia.

Os exames convencionais feitos em laboratório medem as lipoproteínas de baixa densidade como um todo, sem discriminar essa subfração eletronegativa.


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