Mulheres dormem melhor do que os homens

Mulheres dormem melhor do que os homens
Estudo feito na Unifesp descobre diferenças nos padrões de repouso de homens e mulheres, o que abre a possibilidade para novos tratamentos dos distúrbios de sono
[Imagem: Instituto do Sono]

Sono feminino

Um estudo feito por pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizado com 2.365 pacientes do Instituto do Sono, na capital paulista, traz informações inéditas sobre as diferentes características e padrões de sono entre homens e mulheres.

Ao analisar 1.550 homens e 815 mulheres de março a dezembro de 2006, detectaram que elas, apesar de demorar mais tempo para conseguir dormir, em seguida passam mais horas em sono profundo e reparador, necessários para garantir o bom funcionamento do organismo.

Os homens, por outro lado, dormem mais rapidamente, ficam mais tempo nos estágios superficiais de sono e têm seu repouso noturno prejudicado mais vezes devido a distúrbios como o ronco e paradas respiratórias sucessivas (apneias).

Diferenças do sono entre homens e mulheres

"Essa é a primeira pesquisa feita no Brasil que analisa as diferenças entre a privação de sono entre os gêneros por meio de polissonografia e questionários, simultaneamente. Com isso, conseguimos chegar a informações bem precisas, entre elas a de que as mulheres demoram, em média, 25 minutos para dormir, e o homem, 20 minutos", disse Andressa da Silva, uma das autoras do trabalho, à Agência FAPESP.

O estudo, que também contou com a participação de Monica Levy Andersen, Sergio Tufik, Lia Bittencourt e Marco Tulio de Mello, foi publicado no Brazilian Journal of Medical and Biological Research.

De acordo com a literatura científica sobre o assunto, explica Andressa, o sono entre os gêneros se diferencia em muitos aspectos. As mulheres normalmente apresentam mais queixas e distúrbios de sono do que os homens, devido à influência da variação hormonal fisiológica e cíclica do organismo feminino.

Polissonografia

Os resultados da pesquisa foram obtidos após análise dos questionários aplicados e de exames de polissonografia realizados no Instituto do Sono, instituição de diagnóstico e pesquisa sobre os distúrbios de sono fundada por médicos da Unifesp. O Instituto do Sono, ou Centro de Estudos do Sono, coordenado por Tufik, é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP.

A polissonografia avalia o padrão de sono por meio de sensores na superfície do corpo e determina a atividade elétrica cerebral, movimento dos olhos, atividade dos músculos, respiração, oxigenação do sangue, ronco e posição corpórea.

Tratamento de distúrbios do sono

A pesquisa indicou ainda que os homens sofrem mais com a apneia do que as mulheres. "Quando analisados os resultados dos questionários, o ronco foi a queixa principal em ambos os gêneros, seguida pela insônia nas mulheres e sonolência diurna nos homens", disse Andressa.

Além da identificação de que o padrão de sono também muda nas diferentes faixas etárias entre os dois sexos, outra conclusão é que é das mulheres o maior número de queixas quanto aos distúrbios do sono e aos pesadelos.

O trabalho abre a possibilidade para outras formas de intervenção no tratamento dos distúrbios de sono, de acordo com o sexo e a idade de cada indivíduo. Segundo Andressa, dentre os distúrbios mais prevalentes na população estão a sonolência diurna excessiva, apneia, insônia e distúrbios de movimento.

"Além de oferecer informações inéditas relacionadas com a saúde da mulher quanto à sua arquitetura de sono, o estudo ressalta a importância da compreensão das diferenças do gênero no sono, alertando que o gênero pode ser o causador do desenvolvimento de alguns distúrbios de sono", disse.


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