Meninos brincalhões são vistos como rebeldes; meninas não

Meninos brincalhões são vistos como rebeldes; meninas não
Devido à atuação dos professores, os meninos brincalhões desenvolveram percepções mais negativas sobre si mesmos ao longo do tempo.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Brincadeiras na sala de aula

Meninos brincalhões são vistos como rebeldes e causadores de problemas por seus professores de 1ª, 2ª e 3ª séries - mas meninas brincalhonas não.

E isso tem resultados diretos para esses garotos: Como resultado da atuação dos professores em suas tentativas de desencorajar as expressões de brincadeira desses meninos, seus colegas de sala mudaram sua visão desses "palhaços da classe", como seus professores tipicamente os chamam, de inicialmente positiva para cada vez mais negativa.

Os meninos brincalhões também desenvolveram percepções mais negativas sobre si mesmos ao longo do tempo, indicando que as percepções negativas dos professores sobre os meninos brincalhões em seus primeiros anos escolares podem prever uma trajetória negativa de longo prazo.

"As crianças regularmente observam os meninos brincalhões, ou 'palhaços da classe', sendo tratados negativamente por seus professores, e, com o passar do tempo, mudam sua visão deles como parceiros desejáveis na primeira e segunda séries para serem vistos como meninos que deveriam ser evitados ou rejeitados na 3ª série," detalha a professora Lynn Barnett, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA).

Seu estudo, publicado na revista Frontiers in Psychology, confirmou as diferenças de gênero dominantes já identificadas por pesquisas anteriores nessa área.

Mais brincadeiras

Os dados da pesquisa de longo prazo mostraram que, enquanto os professores tratavam os meninos brincalhões de forma diferente dos meninos menos brincalhões, essa discrepância não foi detectada entre as meninas.

Isso se traduz em garotos brincalhões sendo considerados negativamente como rebeldes, intrusivos e com poucas habilidades sociais, e sendo rotulados como "palhaços da classe" por seus professores. Em contraste, os níveis de brincadeira das meninas não foram levados em consideração nas avaliações dos professores.

A opinião desaprovadora dos professores sobre os meninos brincalhões também contrasta com a autopercepção das crianças e de como elas são vistas por seus colegas - no início, os colegas viam os garotos brincalhões como companheiros de brincadeiras atraentes e desejados, o mesmo acontecendo com as meninas.

"Os decréscimos na expressão individual e na criatividade, e nas habilidades sociais e emocionais, e os aumentos no bullying, obesidade infantil e problemas de saúde mental como estresse, depressão, ansiedade são todos sinais convincentes de que precisamos restaurar e estender o tempo livre de brincar das crianças. Todas as projeções são para que essa trajetória negativa continue se não mudarmos o curso e induzirmos grandes mudanças [no sistema educacional]", concluiu a Dra Barnett.


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