Mais Médicos fortaleceu sistema de saúde brasileiro, dizem especialistas

Consenso positivo

A forte contribuição do Programa Mais Médicos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro foi consenso entre os participantes de um seminário patrocinado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O evento científico teve como objetivo analisar os resultados dos três primeiros anos de implantação do provimento emergencial de médicos e estabelecer uma agenda de pesquisas, fontes de financiamento e marcos comuns de avaliação.

"A OPAS tem o compromisso de fomentar estudos e apoiar na divulgação dos resultados do Mais Médicos dentro e fora do Brasil, tendo em vista que os países do continente têm desafios sanitários semelhantes e podem se beneficiar da experiência do programa," afirmou Joaquín Molina, da OPAS.

Depoimentos sobre o Mais Médicos

"O toque de pele, o olhar no olho também fazem parte da cura. E é isso que os médicos cubanos trouxeram. Precisamos avaliar como fortalecer a cooperação fazendo com que essa experiência possa contaminar no bom sentido outros profissionais também," avaliou Jurandir Frutuoso, do CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde).

"No CNS, eu represento os trabalhadores e trabalhadoras da saúde, uma população que indiretamente também se beneficiou com a ampliação do acesso aos serviços de saúde. O programa vem superando os vazios assistenciais e 'inequidades' [desigualdades] de acesso à saúde, em lugares onde médicos e médicas brasileiras ou não tinham interesse ou não conseguiam se estabelecer," disse Juliana Acosta Santoro, do CNS (Conselho Nacional de Saúde).

"Quem vive na base sente a dedicação, a atenção, o carinho, o cumprimento da carga horária desses profissionais cooperados. O CONASEMS é a instituição mais beneficiada com o programa, porque é no município que tudo acontece. E os municípios querem continuar com esses profissionais, que tornam o SUS mais forte," disse Iolete Arruda, vice-presidente da entidade.

A diretora do Conselho da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), Leonor Pacheco, também ressaltou a participação da entidade desde o início da iniciativa. "A ABRASCO está à frente e lado a lado de todos que desejam a cobertura universal de saúde".

"É inegável o papel desse programa no fortalecimento do SUS, da atenção básica e como um capítulo da reforma sanitária brasileira," avaliou Erika Rodrigues, coordenadora-geral de Expansão e Gestão da Educação em Saúde.

"É uma das maiores e melhores iniciativas de políticas públicas de saúde, que visou cobrir essa distorção dos vazios assistenciais do país. Sem dúvida é a iniciativa mais concreta realizada no Brasil nos últimos anos," completou Alexandre Fonseca, do Ministério da Saúde.

Mais Médicos

O Programam Mais Médicos foi criado em 2013 pelo governo federal com o objetivo de suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e periferias das grandes cidades.

Inicialmente foi necessário vencer uma oposição ferrenha do Conselho Federal de Medicina, que se colocou frontalmente contra o programa, além de pesadas críticas da grande imprensa com relação à vinda de médicos estrangeiros, sobretudo de Cuba.

Os médicos cubanos atuam na área de Atenção Básica, atendendo pessoas com diabetes, hipertensão e hanseníase, entre outras doenças, além de promoverem ações educativas. Eles também estão entre os profissionais que trabalham na prevenção e diagnóstico do vírus zika e no acompanhamento de crianças com microcefalia.

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) - com aproximadamente 14 mil entrevistas - apresentou avaliações positivas da população sobre o desempenho dos profissionais brasileiros e estrangeiros que integram a iniciativa. Do total de entrevistados, 81% possuem baixa renda e 95% afirmaram estar satisfeitos com o programa. De 0 a 10, deram nota 8,4. Entre os indígenas, a média foi de 8,7.


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