Descoberto novo alvo para antibióticos inovadores contra superbactérias

Descoberto novo alvo para antibióticos inovadores contra superbactérias
Estrutura do complexo PBP2 e MreC, desvendado pelos cientistas e que pode ser alvejado para destruir a bactéria.
[Imagem: Carlos Contreras-Martel et al. - 10.1038/s41467-017-00783-2]

Novos antibióticos contra superbactérias

Uma equipe de cientistas do Brasil e da França descobriu uma nova estratégia para produzir uma nova geração de antibióticos capazes de destruir bactérias do tipo bacilo - aquelas que possuem forma alongada, semelhante à de uma cápsula.

Pertencem a esse grupo diversas espécies causadoras de doenças como Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e Helicobacter pylori.

"Nossos resultados abrem caminho para o desenvolvimento de medicamentos antibióticos com mecanismo de ação completamente diferente do encontrado nas drogas usadas atualmente, podendo ser útil no tratamento de infecções por patógenos resistentes," disse Andréa Dessen, pesquisadora do Instituto de Biologia Estrutural (França) e também do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em Campinas (SP).

Entre as bactérias que podem ser destruídas pela nova técnica está a Acinetobacter baumanni, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um dos patógenos mais perigosos da atualidade, por ter adquirido resistência à maioria dos antibióticos disponíveis.

Outra grande ameaça, segundo Dessen, é a espécie Klebsiella pneumoniae, também de formato alongado: "Recentemente, uma norte-americana foi internada e morreu devido à infecção por uma cepa de K. pneumoniae resistente a 26 antibióticos diferentes. O problema da resistência bacteriana é grave e não tem recebido atenção adequada nem dos governos e nem da indústria farmacêutica. É algo que não podemos mais ignorar."

Elongassoma

A equipe franco-brasileira tinha como objetivo principal entender os processos relacionados à formação da parede celular bacteriana - uma estrutura semirrígida que envolve todo o microrganismo e é essencial para sua sobrevivência.

"A parede celular é como uma rede de pesca formada, em grande parte, por peptidoglicano, que são moléculas de açúcar polimerizadas e associadas a peptídeos. Além de proteger a bactéria contra diferenças de pressão osmótica, essa estrutura garante a forma adequada da célula. Também é o lugar em que se associam diversos fatores de virulência [moléculas que ajudam as bactérias a driblar as defesas do sistema imune e a infectar células hospedeiras]," explicou Dessen.

No caso de patógenos do tipo bacilo, logo após a divisão celular determinadas proteínas precisam se associar para garantir que as células filhas adquiram o formato alongado da parede celular. Forma-se, com isso, um complexo proteico conhecido como elongassoma. O grupo conseguiu, pela primeira vez, isolar a parte central do complexo formado pelas proteínas PBP2 e MreC e elucidar sua estrutura tridimensional.

"Desse modo, foi possível entender como as duas moléculas interagem e planejar meios para inibir essa interação," disse Dessen.


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