Questionada conexão entre depressão e mortalidade precoce

Depressão não está ligada a menor longevidade como se supunha
O que se descobriu é que 95% dos estudos científicos não tinham a qualidade suficiente para embasarem suas conclusões.
[Imagem: CC0 Public Domain]

Depressão e vida

Durante mais de 30 anos, os cientistas têm publicado pesquisas mostrando que a depressão aumenta as probabilidades de morte - em outras palavras, que pessoas com depressão têm uma expectativa de vida menor.

No entanto, quando todos esses estudos foram analisados rigorosamente e sob um crivo comum, essa presumida ligação simplesmente caiu por terra - não foi encontrada nenhuma evidência de uma associação direta entre a depressão e menor longevidade.

A conclusão é da maior análise já feita sobre o tema, conduzida por uma equipe da Universidade Johns Hopkins (EUA), Universidade da Federação da Austrália e da Universidade de Amsterdã (Holanda), e publicada na última edição da revista médica World Psychiatry.

Ciência de baixa qualidade

A equipe chefiada por Beyon Miloyan e Eiko Fried reavaliou a suposta conexão entre depressão e maior mortalidade reanalisando 293 estudos científicos, derivados de 15 revisões sistemáticas. No conjunto, esses estudos envolveram mais de 3,6 milhões de participantes e 400 mil mortes.

Apesar das conclusões dos estudos individuais, os pesquisadores constataram que pelo menos 95% dos estudos têm qualidade insuficiente para serem levados em conta.

Usando métodos quantitativos e qualitativos, os pesquisadores identificaram um forte viés de publicação - especificamente, estudos que identificaram as maiores associações entre depressão e mortalidade apresentaram pequenas amostras, um baixo número de mortes e curtos períodos de monitoramento.

Além disso, apenas cerca de 5% dos 293 estudos ajustaram seus modelos estatísticos para outras condições de saúde mental, como ansiedade ou problemas de uso de substâncias químicas, que são muito comuns entre os pacientes deprimidos: as taxas de comorbidade na depressão excedem 50%.

Doenças preexistentes

Os pesquisadores também descobriram que dois terços dos estudos envolviam voluntários que foram pré-selecionados com base em condições médicas. Muitos sintomas da depressão, como insônia e fadiga, são compartilhados com várias condições físicas ou podem surgir como efeitos colaterais de medicamentos usados para tratar distúrbios preexistentes.

Isto, afirmam Miloyan e Fried, poderia levar à conclusão de que a depressão é a causa da morte, embora a morte possa ser melhor atribuída às doenças preexistentes. Para eliminar esta confusão, uma solução é levar em conta adequadamente condições psicológicas e fisiológicas comórbidas; outra seria estudar especificamente pacientes deprimidos sem doenças físicas preexistentes.

"Os estudos que analisamos ao longo dos anos levaram muitas pessoas a colocar com demasiada facilidade, e talvez erroneamente, muita confiança na noção de que a depressão é diretamente responsável pela alta mortalidade," comentou Miloyan. "Na verdade, quando olhamos mais de perto os dados dos poucos estudos que têm qualidade aceitável, não encontramos provas convincentes de que a depressão esteja diretamente associada à mortalidade por todas as causas".

Em vez disso, os resultados desses estudos de alta qualidade sugerem que outras variáveis, mais especificamente comportamentos de saúde e comorbidade, podem estar relacionadas à maior taxa de mortalidade entre os indivíduos deprimidos.


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