Planta do cerrado tem ação anti-inflamatória que combate asma

Planta do cerrado tem ação anti-inflamatória que combate asma
Dedaleira, planta do cerrado brasileiro que possui aplicação medicinal contra a asma.
[Imagem: Unitins]

Planta medicinal contra asma

Pesquisa realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP demonstrou que o extrato bruto etanólico e o princípio ativo isolado da casca do caule de Lafoensia pacari, popularmente conhecida como dedaleira - planta típica do cerrado brasileiro, é popularmente conhecida - têm ação anti-inflamatória na asma.

O trabalho, publicado na revista científica European Journal of Pharmacology (v. 580, p. 262-270), tem sua origem na tese de doutorado do pesquisador Alexandre de Paula Rogério.

Estes estudos, conduzidos sob orientação da imunologista Lúcia Helena Faccioli, da FCFRP, foram realizados em colaboração com vários pesquisadores, como o professor Momtchilo Russo, do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

Extrato de dedaleira

Os pesquisadores prepararam um extrato bruto etanólico que se mostrou eficaz no tratamento e prevenção de alguns sintomas da asma, em ensaios de modelos experimentais, abrindo uma perspectiva para o uso da dedaleira no tratamento de processos alérgicos.

Segundo a professora Faccioli, a escolha da planta foi motivada pelo conhecimento do seu uso popular através dos trabalhos da pesquisadora Deijanira Alves de Albuquerque, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que forneceu a matéria-prima para os experimentos.

Princípio ativo

Um modelo experimental de asma foi reproduzido em laboratório para poder estudar os mecanismos envolvidos e testar a ação do extrato bruto e do princípio ativo da planta, como quando ocorre a hiperreatividade brônquica, por exemplo. "O extrato bruto etanólico da casca do caule foi fracionado até identificar um dos componentes com atividade anti-inflamatória", explica Faccioli.

Assim que foi identificado o ácido elágico como princípio ativo, começaram as experiências no modelo de asma. Ao término dos trabalhos, a equipe comprovou que o ácido elágico era o componente da casca do caule da dedaleira responsável pela redução do acúmulo de células inflamatórias, como eosinófilos e neutrófilos, normalmente presentes nos pulmões de pacientes com quadro asmático.

Além disso, os pesquisadores observaram redução da produção de citocinas que direcionam os processos inflamatórios nas alergias, na asma e em algumas parasitoses.

Tratamento parcial

No entanto, nem todos os atributos importantes da asma foram controlados com o tratamento. O extrato bruto foi incapaz de inibir significativamente a síntese de substâncias (leucotrienos), que causam broncoconstricção, secreção de muco e aumento da permeabilidade vascular, também característicos da asma.

"Apesar de inibir mediadores inflamatórios (citocinas), (o extrato) não consegue inibir o bronco-espasmo, uma característica da asma", pondera a imunologista.

Contudo, os pesquisadores observaram uma tendência do tratamento com ácido elágico em diminuir a síntese de leucotrienos, concluindo que esses tratamentos reduzem alguns dos mais significativos fenótipos relacionados com a asma, o que confirma o uso popular da dedaleira como agente anti-inflamatório.

Cultivo de plantas medicinais

Devido a esse efeito, presume-se que a dedaleira pode ser cultivada para a extração da casca do caule para uso medicinal. Em algumas regiões de Mato Grosso e no leste do Paraguai, a população já possui o hábito de usar o extrato aquoso da casca dessa planta como tônico para tratar inflamações, úlceras gástricas, auxiliar na cicatrização de feridas e combater a febre. No Paraguai, a planta é chamada de "morosyvo" e é utilizada, em geral, para o tratamento de câncer.

Outra possibilidade é que o ácido elágico pode atuar também como aliado no tratamento e prevenção de tais doenças. "Além de ser um dos metabólicos secundários da dedaleira, esse ácido é um composto fenólico encontrado principalmente em frutas vermelho-alaranjadas, como morango, framboesa e amora", explica Faccioli. "São substâncias que potencializam o efeito dos remédios, podendo ser usadas como suplementos", informa. "Com base em ensaios in vitro e in vivo, há indicativos de que o extrato etanólico da Lafoensia pacari não é tóxico."


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