Açafrão é utilizado para tratamento do câncer de pele

Açafrão contra câncer de pele

O requintado açafrão, usado em risotos, caldos e massas, essencial à paella, agora está no foco de uma pesquisa no campo da nanomedicina - área que une a medicina à nanotecnologia.

O estudo vai analisar as propriedades de nanocápsulas de curcumina (ou cúrcuma), composto natural extraído do açafrão-da-índia, no combate do câncer de pele.

A pesquisa está sendo feita por Letícia Mazzarino, na Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação da professora Elenara Lemos Senna, do Departamento de Ciências Farmacêuticas.

Drogas inteligentes

O emprego de estruturas nanoscópicas como "entregadoras" de medicamentos antitumorais é uma estratégia para contornar as limitações e reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia convencional. A nanotecnologia atua na escala do nanômetro, o bilionésimo de metro, ou um milímetro dividido um milhão de vezes.

Efeitos medicinais do açafrão

Popularmente chamada de açafrão, a Curcuma longa L. é conhecida por seu uso na alimentação, como tempero, corante e aromatizante. Seu uso medicinal também é documentado na medicina indiana há mais de seis mil anos. A curcumina, ou diferuoilmetano, extraído do rizoma da Curcuma longa L., tem propriedades antinflamatórias, antitumorais, antioxidantes e antimicrobianas.

Nos últimos anos, pesquisas clínicas e laboratoriais têm demonstrado seu potencial na prevenção e tratamento de doenças crônicas e de diferentes tipos de cânceres, entre eles, o melanona, o câncer de pele.

Nanomedicina

A nanomedicina entra em cena para contornar limitações no uso farmacológico da curcumina. Apesar de seu potencial farmacológico, essa substância apresenta problemas de estabilidade, por isso depende de aprimoramento da forma farmacêutica - o modo como é ministrada ao paciente.

O uso terapêutico desse composto é complicado devido à baixa solubilidade em água e à alta taxa de decomposição em meio alcalino. Estudos in vitro relataram, ainda, a degradação da curcumina em condições fisiológicas. Além disso, a substância é suscetível à degradação fotoquímica, o que limita seu uso na forma de solução ou na forma sólida. O desafio da pesquisa é melhorar a estabilidade e eficácia desse "medicamento".

Nanocápsulas

O estudo vai analisar como o fármaco se comporta se fosse administrado por meio das cápsulas nanoscópicas - os chamados carreadores nanoestruturados. Em sua dissertação, Letícia vai realizar diversos testes em cultura de células e em animais para avaliar a atividade antitumoral e antimetastática de nanocápsulas lipídicas e poliméricas contendo curcumina, a fim de melhorar a estabilidade e a eficácia do fármaco para que futuramente possa ser usado na medicina.

O principal objetivo das pesquisas farmacêuticas tem sido a busca de novos medicamentos mais eficazes e também mais seguros. A medicação por meio de nanocápsulas apresenta diversas vantagens. Permite, por exemplo, que os fármacos sejam direcionados para células e tecidos específicos do organismo, atuando apenas nas células doentes, sem afetar as sadias.

Também são consideradas promissoras devido à capacidade de proteger as moléculas do fármaco contra degradação, liberar a substância ativa controladamente no local de ação e conduzir à redução dos efeitos colaterais indesejáveis decorrentes da distribuição disseminada do fármaco no organismo.

O estudo de estabilidade química da curcumina será realizado em parceria com o Laboratório de Controle de Qualidade, sob a supervisão do professor Marcos Antônio Segatto. O trabalho é parcialmente fomentado no âmbito do Edital Prosul de Pesquisa e Pós-Graduação (CNPq), cuja coordenadora é a professora Tânia Beatriz Creczynski-Pasa. Os dois pesquisadores são também professores do Departamento de Ciências Farmacêuticas da UFSC.


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